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Vale (VALE): Tornando a Mineração de Ferro Sustentável e Construindo um Gigante do Cobre

Tornando o Ferro & Aço Sustentáveis
O ferro costuma ser visto como um metal “chato” pelos investidores. Ele segue principalmente os ciclos econômicos globais e é improvável que tenha alguma narrativa associada. Ninguém espera que a demanda por ferro triplique na próxima década devido à demanda por baterias, produção de painéis solares, um boom aeroespacial em meio a uma corrida espacial ou ao aumento dos riscos de conflitos globais.
Mas isso também pode ser uma qualidade. Aproximadamente 90% de todo o metal refinado hoje é ferro.
O ferro e o aço (compostos por 97% de ferro) são absolutamente onipresentes em tudo o que usamos diariamente no mundo moderno:
- Infraestrutura: pontes, ferrovias, portos.
- Construção: concreto armado, vigas, telhados, pregos e parafusos, etc.
- Transporte: carros, trens, navios.
- Usos industriais: tubos e dutos, tanques de armazenamento, máquinas pesadas,
- Defesa: navios de guerra, tanques, projéteis de artilharia, armas, balas, etc.
- Energia: fornos, turbinas, pilares de turbinas eólicas, estruturas de painéis solares, etc.
- Saúde: camas, instrumentos cirúrgicos, etc.
- Bens de consumo: eletrodomésticos de cozinha, aparelhos, lareiras, etc.
No entanto, a produção de ferro é, infelizmente, um processo muito intensivo em carbono, dependente principalmente de um tipo especial de carvão: carvão metalúrgico. Algumas tentativas foram feitas para substituir o carvão metalúrgico por hidrogênio verde, mas somente minério de ferro de altíssima qualidade pode ser usado com hidrogênio.
Portanto, investir em produção de ferro mais verde e com menores emissões não é apenas uma questão de investir na produção de hidrogênio, mas também de escolher produtores de ferro com depósitos minerais de alta qualidade adequados à produção de aço verde.
(Para mais detalhes sobre mineração de ferro e eletrificação do aço, leia nossos artigos “Investindo em Ferro: A Espinha Dorsal da Economia Global” e “Eletrificando o Ferro: O Futuro da Produção de Aço Verde”).
Globalmente, dois países se destacam quando se trata de reservas de ferro, ambos com minério de alta concentração: Brasil e Austrália.

Fonte: Metal World Insight
E, como era de se esperar, é também onde se encontram dois dos maiores mineradores de ferro do mundo: o australiano Rio Tinto (RIO ) (siga o link para nosso relatório de investimento sobre a Rio Tinto) e a brasileira Vale.
(VALE )
Visão Geral da Vale
História da Vale
A Vale é a maior produtora mundial de minério de ferro e níquel. Também produz cobre, manganês e cobalto.
Foi fundada pelo Governo Federal Brasileiro em 1942 como a “Companhia Vale do Rio Doce”, ou “Empresa do Vale do Rio Doce”. Desde sua criação, o objetivo da empresa tem sido explorar e vender internacionalmente os excelentes recursos de ferro encontrados no solo brasileiro.
Na década de 1950, a empresa desenvolveu, expandiu e modernizou um complexo completo de mina-ferrovia-portos para exportar seu minério de ferro aos mercados internacionais. A capacidade de exportação foi ampliada ainda mais com a criação, em 1966, do Porto de Tubarão, que hoje pode alcançar uma taxa de carregamento de 12.000 toneladas por hora e uma taxa nominal de 16.000 toneladas por hora.
Agora capaz de exportar uma enorme quantidade de minério de ferro, a Vale expandiu-se ao adquirir a Mina de Carajás, com mais de 1,5 bilhão de toneladas de reservas de minério de ferro, em 1970. Isso levou a empresa a conquistar o título de maior produtora mundial de ferro em 1974, título que ainda mantém hoje.
A expansão no negócio de ferro continuou através do desenvolvimento de suas próprias minas e aquisições:
- Em 2000, a aquisição da Sociomex e de participação controladora na Samitri.
- Em 2001, a aquisição de participação controladora na Samitri, então a terceira maior produtora de ferro do Brasil.
- Em 2006, Rio Verde Mineração.
Ao longo dos anos, a Vale também diversificou-se para outros negócios. Iniciou a produção de alumínio em 1982, bem como a produção de aço, celulose e carvão em anos posteriores. Progressivamente saiu dessas atividades durante os anos 2000, focando em madeira e aço, e em 2014-2015 no carvão.
Desde 1997, a empresa é privada, com o Governo Brasileiro vendendo uma participação de 41,73% na companhia. Hoje, a participação estatal na empresa é insignificante (<1%).
Os principais acionistas atuais incluem Litel, um veículo corporativo principalmente apoiado por fundos de pensão brasileiros e o conglomerado japonês de mineração e indústria Mitsui & Co, com a maior parte das ações detidas por investidores institucionais e de varejo internacionais.

Fonte: Vale
Se a expansão para alumínio, carvão e madeira foi relativamente curta, a empresa tem uma presença mais duradoura em níquel e uma crescente em cobre.
A entrada no mercado de cobre ocorreu com a aquisição da mina Sossego em Carajás, no norte do Brasil, em 2001, e no níquel em 2005 com a aquisição da Canico Resource, e em 2006 da produtora canadense de níquel Inco.
Em 2023, a empresa criou uma entidade separada e isolada, a Vale Base Metals, com sede em Toronto, para gerir todos os metais não ferrosos, incluindo cobre, níquel, cobalto, metais do grupo da platina, ouro e prata.
Vale em Números
Conforme mencionado, a Vale é a maior produtora mundial de ferro, com 336 Mt (milhões de toneladas) produzidas em 2025. A empresa pretende expandir essa capacidade para 360 milhões de toneladas métricas até 2030.
Também lidera a produção de níquel com 177 kt (milhares de toneladas) em 2025.
Além desses dois metais, a empresa produz, por ordem de importância: cobre, cobalto, platina, paládio, ouro e prata. Eles são principalmente subprodutos das principais minas de cobre e níquel.
No total, a empresa opera 75 instalações integradas de mineração e processamento. Suas maiores minas estão na região de Carajás, responsáveis por aproximadamente 60% da produção total de minério de ferro. O minério de Carajás tem um teor médio de ferro de 67%, considerado de alta qualidade e requer muito menos energia e emissão de carbono para ser refinado em ferro utilizável para fins industriais.
Seu maior complexo não ferroso está em Ontário, Canadá, com 5 minas ativas de níquel/cobre, uma usina, uma fundição e uma refinaria.

Fonte: Vale
A empresa emprega diretamente mais de 65.000 funcionários, mas tem um total de 180.000 colaboradores através de uma vasta rede de contratados, parceiros externos ou trabalhadores terceirizados.
Embora focada em mineração, a empresa também é um poderoso centro de P&D, com mais de 1.050 patentes concedidas, principalmente em automação pesada, como os sistemas de correias transportadoras autônomos sem caminhões (mais detalhes abaixo em “Iniciativa Verde”) e eficiência de processamento mineral, além da digitalização da mineração.

Fonte: Vale
Em 2025, a empresa gerou US$ 38,4 bilhões em receitas, US$ 25,5 bilhões em EBITDA, US$ 4,8 bilhões em fluxo de caixa livre e US$ 2,4 bilhões em lucro líquido atribuível aos acionistas.
Esse abundante fluxo de caixa livre é usado tanto para expandir a atividade da empresa em mais produções de metais (ferro, níquel, cobre) quanto para distribuir aos acionistas um dividendo generoso. Combinado com uma avaliação de mercado razoável, esse dividendo torna a ação da empresa favorita entre investidores de renda, rendendo cerca de 9% ao ano no primeiro semestre de 2026.
Crescimento dos Metais de Eletrificação
Níquel
Além do ferro, o níquel é atualmente o principal metal não ferroso produzido pela Vale, representando mais da metade das receitas da subsidiária Vale Base Metals. A maior parte dos clientes está localizada na Europa (36%) e na América do Norte (33%), reduzindo a exposição da empresa a flutuações e riscos relacionados a sanções associados à demanda chinesa.

Fonte: Vale
Graças ao aumento de escala e aos investimentos feitos em operações de mineração mais eficientes, os custos totais de sustentação (AISC) para operações não ferrosas caíram de US$ 27.000 por tonelada de níquel em 2023 para apenas US$ 11.000 no primeiro trimestre de 2026.
A empresa planeja continuar aumentando significativamente a produção de níquel nos próximos anos. Deve subir da atual produção inferior a 200 kt anuais para até 250 kt até 2030.

Fonte: Vale
Cobre
Embora o níquel seja atualmente o principal metal não ferroso da Vale, a empresa está expandindo agressivamente no cobre, um metal essencial para a eletrificação e amplamente usado em transformadores, fiação, baterias, veículos elétricos, data centers, etc.
Em 2025, a empresa produziu 382 kt de cobre. Espera‑se que a produção quase dobre até 2035.

Fonte: Vale
O cobre também se beneficiou da melhoria de eficiência, com o AISC caindo de US$ 3.400 por tonelada em 2023 para US$ 1.500 por tonelada em 2026.
Uma última vantagem única da produção de cobre da Vale é que ela utiliza minério sulfídico. Isso significa que a produção deste metal também envolve enxofre, que pode ser vendido a mineradores de cobre que utilizam diferentes tipos de minério. Como grande parte da produção de ácido sulfúrico foi interrompida pela destruição de instalações petroquímicas no Golfo Pérsico, isso é um fator importante para a estabilidade da produção de cobre da Vale nos próximos anos.
Cadeia de Suprimentos Alternativa Integrada
O crescente atividade no setor de metais não ferrosos significa que esse setor se tornará cada vez mais importante para a empresa. A projeção é que ele passe de 22% do EBITDA em 2025 para 26% em 2026 e até 30‑35% no longo prazo (pós‑2030).
Aqui também, a escala da Vale compensa, pois beneficia de uma cadeia de suprimentos integrada capaz de tratar o minério desde as minas até as refinarias, ao transporte marítimo para usuários finais (fabricantes de baterias e veículos elétricos, siderúrgicas, etc.) com sua própria infraestrutura verticalmente integrada.

Fonte: Vale
Para seus clientes, a Vale representa uma fonte alternativa extremamente valiosa de níquel, cobre, cobalto e grupos de metais da platina (PGMs), que de outra forma estão altamente concentrados em um pequeno número de países não ocidentais: >60% do níquel da Indonésia, >75% do cobalto da RDC, >60% dos PGM da África do Sul e >30% de países andinos, especialmente Peru e Chile.
Iniciativas Verdes
Reduzindo a Pegada de Carbono
De modo geral, a mineração raramente é vista como uma atividade verde, pois envolve a destruição de grandes áreas do ambiente natural para extrair minerais, além do consumo de produtos químicos tóxicos.
No entanto, também é uma atividade essencial para manter a infraestrutura e produzir os equipamentos usados na transição verde, desde os postes de aço das turbinas eólicas até os fios metálicos dos painéis solares, veículos elétricos e baterias.
A mineração também é uma atividade altamente intensiva em energia, com consumo substancial de combustíveis fósseis associados. Grande parte disso está ligada ao transporte por caminhões, especialmente o transporte do minério bruto para as usinas, e o transporte, pois as etapas logísticas posteriores são geralmente realizadas por trens e navios.
É por isso que a Vale transformou radicalmente as operações do S11D, o maior complexo de mineração de minério de ferro da história da Vale e um dos maiores do mundo, localizado em Canaã dos Carajás, no estado do Pará.
O S11D está equipado com o “sistema sem caminhões” da Vale, que substitui caminhões por correias transportadoras de longa distância. Como a correia pode ser alimentada por eletricidade de barragens hidrelétricas e painéis solares, isso descarboniza totalmente essa etapa da operação.

Fonte: Vale
Isso torna esse complexo de mineração um dos mais eficientes em carbono e energia do mundo. Enquanto isso, a Vale criou um tipo de briquetes de ferro que pode reduzir as emissões de CO₂ na produção de aço em mais 10%. O transporte de minério de ferro a longa distância, principalmente para a China, é feito com navios equipados com velas rotativas que utilizam a força do vento para reduzir as emissões de carbono.
No total, a Vale investiu US$ 1,4 bilhão em descarbonização desde 2020 e planeja investir mais US$ 2,6 bilhões.
Gestão da Água & Infraestrutura
A Vale também aproveita a umidade natural do clima brasileiro para preparar o minério sem o uso de água doce.
Isso elimina a necessidade de barragens convencionais de rejeitos, que são tanto uma fonte de poluição quanto uma responsabilidade ambiental para as empresas de mineração.
Isso é importante para a Vale, pois em 2015 ocorreu um desastre massivo após o colapso de uma barragem construída pela Vale. E depois um incidente semelhante em 2019.
A inundação causou o pior desastre ambiental do Brasil até hoje, matando 19 pessoas e afetando 39 municípios em dois estados, enterrando-os em resíduos de mineração.
Esse desastre é a razão pela qual a Vale investiu US$ 2,5 bilhões em quatro plantas de filtragem para criar rejeitos secos (a rocha triturada, poeira e lama) em vez de rejeitos úmidos, que exigem barragens. Assim, no futuro, a mineração de ferro não produzirá mais o tipo de resíduo que requer barragens.
A construção de barragens não é tão diferente do negócio de mineração (movimentação de terra, escavação de rochas com explosivos, grandes quantidades de concreto, máquinas pesadas, mega projetos de construção, gerenciamento da chuva, etc.), portanto faz sentido que a Vale também trabalhe em tal projeto.
A empresa produz toda a sua eletricidade para a mineração de ferro dessa forma, aproveitando as abundantes chuvas tropicais brasileiras. A empresa também é sua própria companhia logística de médio porte, operando sua própria ferrovia, trens, portos e navios para transportar o minério da extração até a entrega aos clientes.
Reserva Natural
Além de reduzir o impacto de suas atividades de mineração, a Vale também contribuiu para a criação de enormes reservas naturais nas regiões onde opera. Assim, embora a mineração tenha destruído parte do terreno natural, os lucros gerados também contribuíram diretamente para a preservação de uma área florestal equivalente a aproximadamente um milhão de campos de futebol em todo o mundo, dos quais 800.000 hectares estão na região de Carajás.
Isso teve um grande impacto, pois somente esta região foi poupada do desmatamento massivo que afetou a região, com a maioria das áreas não protegidas pela Vale convertidas em pastagens e fazendas desde a década de 1970.

Fonte: Vale
Caso de Investimento da Vale & Futuro
A Vale não é apenas uma grande empresa de mineração e uma ação líder no Brasil, mas também uma líder em inovação na mineração de ferro.
Seu sistema de transporte de minério sem caminhões, navios inovadores, integração vertical e minério de ferro de alta concentração fazem dela uma das ações de mineração de ferro mais verdes disponíveis para investidores. Como o ferro forma a espinha dorsal da sociedade industrial moderna e não desaparecerá, é uma boa opção para investidores conscientes ambientalmente que buscam exposição a commodities.
Outro tipo de investidor potencialmente interessado nas ações da Vale são os investidores de renda que buscam um rendimento quase de dois dígitos em uma jurisdição relativamente segura. A natureza do negócio da Vale em uma commodity global e necessária, seus baixos custos de produção e forte rede logística constituem um bom argumento para renda estável na próxima década ou mais.
Num futuro próximo, a Vale estará muito mais exposta a “metais verdes”, especialmente cobre e níquel usados na eletrificação e em baterias, sejam baterias de grande escala ou pacotes de baterias de veículos elétricos. Portanto, esse segmento, assim como os preços do minério de ferro, provavelmente impactará os lucros futuros, algo que os potenciais investidores da empresa devem lembrar.











