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EUA acusam sete pessoas de contornar sanções com uso de criptomoedas

Em outubro de 2022, promotores dos EUA acusaram cinco cidadãos russos e dois venezuelanos de participação em um suposto esquema internacional de evasão de sanções e lavagem de dinheiro, incluindo transferências de criptomoedas, segundo um comunicado de 19 de outubro de 2022 do Departamento de Justiça. Eram acusações, não uma condenação.
DOJ dos EUA alega que criptomoeda foi usada para contornar sanções
Promotores federais em Nova Iorque alegaram que os réus haviam obtido tecnologias militares de fabricantes dos EUA e as enviaram para a Rússia, incluindo semicondutores avançados e microprocessadores usados em aeronaves de combate, sistemas de mísseis, munições inteligentes, radares, satélites e outras aplicações militares espaciais.
Além disso, eles supostamente contrabandeavam milhões de barris de petróleo venezuelano, enviando-o a compradores na Rússia e na China. O petróleo originava‑se da empresa estatal de petróleo da Venezuela, PDVSA, que foi colocada sob sanções dos EUA em 2019. Os réus também foram acusados de lavar dezenas de milhões de dólares americanos para oligarcas russos e outras entidades sancionadas.
Breon Peace, procurador federal do Distrito Leste de Nova York, declarou:
“Conforme alegado, os réus foram facilitadores criminais dos oligarcas, orquestrando um esquema complexo para obter ilegalmente tecnologia militar dos EUA e petróleo venezuelano sancionado por meio de uma infinidade de transações envolvendo empresas de fachada e criptomoeda. Seus esforços minaram a segurança, a estabilidade econômica e o Estado de direito em todo o mundo. Continuaremos a investigar, interromper e processar aqueles que alimentam a guerra brutal da Rússia na Ucrânia, evadem sanções e perpetuam a economia sombria da lavagem de dinheiro transnacional.”
Os promotores disseram ter encontrado componentes semelhantes em armamentos russos apreendidos no campo de batalha na Ucrânia. A invasão russa em grande escala havia começado em fevereiro de 2022.
Segundo a acusação, uma empresa alemã foi usada nas compras e no comércio de petróleo. Dois réus foram presos em 17 de outubro de 2022, um na Alemanha e outro na Itália. Na data do comunicado, os EUA buscavam sua extradição.
Os pagamentos pelas atividades ilícitas da empresa alemã foram realizados em dólares americanos e encaminhados por meio de instituições financeiras dos EUA e contas bancárias correspondentes. Os promotores alegam que, para contornar as sanções dos EUA impostas a entidades russas, os réus usaram empresas de fachada fictícias e documentos KYC falsificados e contas bancárias em jurisdições de alto risco, levando bancos dos EUA a processar dezenas de milhões de dólares. O esquema também envolveu transferências de criptomoedas no valor de milhões de dólares e entregas em massa de dinheiro em espécie com mensageiros na Rússia e na América Latina.
O que são sanções financeiras e quão eficazes são?
Sanções financeiras podem restringir transações e congelar ativos como parte de medidas econômicas mais amplas. Podem atingir Estados, empresas ou pessoas e buscam alterar comportamentos sem o emprego de força militar. Congelar ativos não equivale automaticamente a confiscá-los de forma definitiva.
Em 2019, o OFAC registrou penalidades monetárias e acordos no total de aproximadamente US$ 1,29 bilhão. Sua tabela reúne 26 decisões desse tipo e mais quatro constatações de infração, totalizando 30 ações. Não se tratava de uma única multa nem apenas de empresas americanas.
Os EUA utilizam sanções como instrumento de política externa e segurança nacional. Em outubro de 2022, mantinham principais programas de sanções contra Rússia, Venezuela, Irã, Coreia do Norte e Síria, entre outros. Essa é uma descrição histórica.
No entanto, nem todos concordam que as sanções financeiras sejam eficazes. No caso dos EUA e da União Europeia, que também impõem uma ampla gama de sanções contra vários países e indivíduos, alguns argumentam que sanções podem prejudicar também as economias que as impõem sem alterar suficientemente o comportamento do alvo. A Rússia é uma importante exportadora de petróleo e gás, e críticos argumentavam que as sanções ocidentais podem agir como um bumerangue, agravando pressões sobre preços e abastecimento de energia na Europa. Era uma avaliação de efeitos, não prova de que toda a crise energética decorresse das sanções.
Outra grande controvérsia diz respeito às sanções que afetam civis do país alvo, que podem não apoiar necessariamente a violação do direito internacional por parte de seu governo.
Corretoras rejeitaram bloqueio geral, mas aplicaram as restrições legais
Após a invasão russa da Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, corretoras como Kraken, Binance e Bitfinex rejeitaram o pedido de Kiev para bloquear todos os clientes russos. Isso não significava recusar o cumprimento das sanções específicas que lhes eram aplicáveis.
Jesse Powell, então CEO da Kraken, disse na época:
“Quando você congela a conta financeira de alguém, essa pessoa não consegue mais pagar o aluguel, pagar suas dívidas, comprar comida, sabe, sustentar sua família.”
As corretoras justificavam a oposição ao bloqueio baseado apenas em nacionalidade pelos direitos de clientes comuns. Continuavam obrigadas a cumprir as restrições aplicáveis às suas operações.
No entanto, algumas delas, incluindo Binance e Kraken, foram eventualmente forçadas a mudar de postura após as medidas restritivas da UE contra a Rússia.
Após o quinto pacote de sanções da UE contra a Rússia, a Binance declarou em um anúncio que foi obrigada a limitar serviços para indivíduos e entidades russas que possuam ativos de criptomoedas com valor superior a 10.000 EUR.
“Contas que se enquadram nesta restrição serão colocadas em modo apenas de saque. Nenhum depósito ou negociação será permitido nessas contas. O limite também cobre todas as carteiras spot, futures, de custódia, e depósitos em staking e ganhos”, afirma a declaração.
No seu oitavo pacote de sanções, adotado em 6 de outubro de 2022, a UE ampliou a proibição de fornecer serviços de carteiras, contas e custódia de criptoativos aos clientes russos abrangidos, independentemente do valor. O limite anterior de 10.000 euros referia-se a esses serviços, não a um limite universal de transferências transfronteiriças. O alcance e as exceções dependiam das normas europeias.
O artigo relatava que a Kraken anunciou restrições a clientes russos em 19 de outubro de 2022 após o novo pacote europeu. O plano de sucessão de Powell havia sido anunciado em setembro, mas a troca de CEO ainda não tinha ocorrido. Oferecer operações em euros, por si só, não explica todo o alcance jurídico das sanções.












