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Regulação de criptoativos em outubro de 2022: África do Sul e Reino Unido

A Financial Sector Conduct Authority (FSCA), autoridade sul-africana de conduta do setor financeiro, declarou os criptoativos produtos financeiros para fins da Financial Advisory and Intermediary Services Act (FAIS) em 19 de outubro de 2022. A declaração, assinada pelo comissário Unathi Kamlana, entrou em vigor na publicação e submeteu os serviços de consultoria e intermediação relacionados a esses ativos à sua competência. Prestadores já em atividade receberam uma regra de transição, com prazo de solicitação de licença entre 1º de junho e 30 de novembro de 2023; não obtiveram licença automaticamente. A definição abrangia representações digitais de valor que usam criptografia e registros distribuídos. A medida não transformou criptoativos em moeda de curso legal nem substituiu regras próprias sobre fluxos de capital e câmbio.
As autoridades sul-africanas discutiam a questão havia anos. O Intergovernmental Fintech Working Group (IFWG), composto pelo banco central, pelo Tesouro e por reguladores financeiros, já havia defendido um marco regulatório claro para os criptoativos.

Aviso da Autoridade de Conduta do Setor Financeiro da África do Sul (FSCA)
Em 2022, o vice-governador do South African Reserve Bank (SARB), Kuben Naidoo, também discutiu a regulação dos criptoativos. Separadamente, o SARB estudava a viabilidade de um rand digital para pagamentos de varejo. Uma moeda digital de banco central (CBDC) é dinheiro digital emitido pelo próprio banco central. Um estudo não equivale à decisão de emitir uma criptomoeda separada atrelada ao rand. Em maio de 2021, o SARB afirmou expressamente que ainda não havia tomado uma decisão de emissão.
Segundo o artigo original, Kuben Naidoo declarou em um webinário PSG Konsult Think Big em julho de 2022:
“Nossa visão mudou e agora consideramos a criptomoeda um ativo financeiro, e esperamos regulá-la como um ativo financeiro.”
A FSCA apresentou a declaração como um passo para proteger consumidores e supervisionar prestadores que promoviam ativamente serviços de criptoativos. O artigo indicava a 30ª posição da África do Sul no índice Chainalysis de 2022 e citava uma estimativa de que 10% a 13% da população possuía ou negociava criptoativos. A classificação e a estimativa populacional são medidas distintas; a posição no índice não comprova, por si só, esse percentual de usuários.
Planos britânicos de regulação de criptoativos após o Brexit
Em 25 de outubro de 2022, uma comissão da Câmara dos Comuns analisou alterações no Financial Services and Markets Bill. Andrew Griffith, secretário financeiro do Tesouro, apresentou a emenda 22 e uma nova disposição sobre criptoativos. A comissão aprovou a emenda 22. Era uma etapa da tramitação, não a aprovação definitiva de toda a lei pelo Parlamento. A reportagem original descrevia um projeto amplo, com vinte medidas e mais de 335 páginas.
As alterações pretendiam permitir que o Tesouro incluísse atividades com criptoativos no marco de supervisão financeira por meio de regulamentação posterior. Esse marco consta da Financial Services and Markets Act 2000 . O projeto também abrangia ativos de liquidação digital, incluindo determinadas stablecoins. A supervisão da Financial Conduct Authority (FCA), o registro para prevenção à lavagem de dinheiro e as regras de publicidade financeira têm fundamentos e processos de implementação próprios. A análise em comissão não concedeu automaticamente licença a todos os serviços nem colocou todas as novas regras em vigor.
A discussão ocorreu no mesmo dia em que Rishi Sunak foi nomeado primeiro-ministro, após ter defendido ambições para o setor de criptoativos, em 25 de outubro de 2022, após a renúncia de Liz Truss. Como ministro das Finanças de Boris Johnson, Sunak havia defendido transformar o Reino Unido em um polo de tecnologia de criptoativos. Alguns participantes do mercado receberam a nomeação com entusiasmo; essa reação não representava unanimidade no país ou na comunidade global.
O autor interpretava essa sequência de acontecimentos como um possível sinal favorável ao setor em outubro de 2022. Tratava-se de uma expectativa, não de uma garantia de adoção, valorização ou determinada regulação futura.
Diferenças entre regimes regulatórios
Em 2022, os países adotavam abordagens distintas para a posse, transferência, negociação e prestação de serviços envolvendo criptoativos. Alguns impunham restrições rigorosas, enquanto outros estudavam licenças ou novas definições legais. A regulação pode oferecer clareza e, ao mesmo tempo, impor limitações adicionais. Não é possível concluir que países antes rigorosos geralmente passaram a flexibilizar suas regras.
Nos Estados Unidos, diferentes órgãos atuavam em políticas públicas, supervisão e aplicação da lei. O Departamento de Justiça, a Securities and Exchange Commission (SEC) e a autoridade tributária IRS tinham funções distintas. A Infrastructure Investment and Jobs Act de 2021 ampliou as obrigações legais de prestação de informações sobre ativos digitais e a definição de intermediário. Essas regras tributárias diferem das obrigações de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Sua execução exigia regulamentação posterior; não se podia tratar toda nova comunicação de transações como obrigação já imediatamente vigente em outubro de 2022.
Em jurisdições atraentes para empresas de criptoativos no cenário de 2022 , como Singapura, o incentivo à inovação não significava ausência de regras. Certos prestadores de serviços de pagamento digital já estavam sujeitos a supervisão. Isso não tornava as criptomoedas moeda de curso legal. Experimentos com registros distribuídos para compensação e liquidação de pagamentos e valores mobiliários também diferem da emissão de uma CBDC para o público. O artigo mencionava países que apoiavam a inovação e também podiam endurecer suas regras sobre criptoativos para reduzir riscos.
China, Argélia e Bolívia apareciam no artigo como exemplos de abordagens restritivas em 2022. As normas variavam conforme o país e a atividade. Restringir serviços financeiros, pagamentos ou negociação não equivale automaticamente a proibir toda posse privada. Prevenção à lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo e política monetária faziam parte dessas discussões.
El Salvador atribuiu ao Bitcoin curso legal em 2021. Instituições internacionais, incluindo o FMI, pediram que El Salvador retirasse esse status. Em abril de 2022, a República Centro-Africana também concedeu esse status ao Bitcoin. Isso descreve decisões daquele período, não eventuais alterações posteriores.
Em outubro de 2022, persistiam diferenças importantes entre os regimes jurídicos. Novas regras poderiam reduzir algumas delas, mas não garantiam um direito mundial uniforme ou irrestrito de possuir, transferir e negociar criptoativos.












