Biotecnologia

CHMP recomenda Klygefa da AstraZeneca para Miastenia Gravis Generalizada

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AstraZeneca anunciou em 18 de setembro de 2026 (AZN ) que Klygefa (gefurulimab), desenvolvido por sua unidade de doenças raras Alexion, foi recomendado para aprovação na União Europeia como complemento à terapia padrão para adultos com miastenia gravis generalizada (gMG) que são positivos para anticorpos contra o receptor de acetilcolina (AChR). O Comitê de Produtos Medicinais de Uso Humano (CHMP) da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) adotou a opinião favorável em 17 de setembro de 2026, de acordo com o registro de medicamento da EMA para Klygefa, que nomeia a Alexion Europe SAS como requerente e indica que a solicitação está pendente de decisão da Comissão Europeia. A recomendação baseia‑se no ensaio pivotal PREVAIL de fase III, no qual a AstraZeneca informou que Klygefa atingiu seu desfecho primário de melhora da função nas atividades diárias na semana 26.

Nos resultados do PREVAIL, Klygefa demonstrou melhora em relação ao baseline na pontuação total do Myasthenia Gravis Activities of Daily Living (MG-ADL) na semana 26 comparado ao placebo, com uma diferença de tratamento de -1,6 (IC 95%: -2,4 a -0,8) e p<0.0001, informou a empresa. Uma melhora clinicamente significativa foi observada já na primeira semana e foi mantida até a semana 26. Se aprovado, Klygefa será o primeiro e único inibidor de C5 de nanocorpo de ligação dupla para essa população de pacientes, disse a AstraZeneca.

Desenho da Fase III PREVAIL e Histórico de Divulgação

O PREVAIL (ALXN1720-MG-301) é um estudo global de fase III, randomizado, duplo‑cego, controlado por placebo, paralelo e multicêntrico, que recrutou 260 pacientes de 20 países da América do Norte, Europa, Ásia e região do Pacífico. Os participantes precisavam de diagnóstico confirmado de miastenia gravis com pelo menos três meses antes da triagem, teste sorológico positivo para autoanticorpos anti‑AChR e classificação clínica da Myasthenia Gravis Foundation of America de Classe II a IV na triagem. Os pacientes foram randomizados 1:1 para Klygefa ou placebo durante um período de tratamento controlado de 26 semanas, recebendo uma dose de carga única baseada no peso no Dia 1, seguida de doses de manutenção baseadas no peso uma vez por semana a partir do Dia 8. O desfecho primário, mudança em relação ao baseline na pontuação total do MG‑ADL, foi avaliado na semana 26 juntamente com múltiplos desfechos secundários, e os pacientes que completaram o período controlado foram elegíveis para entrar em uma extensão aberta que continua em andamento.

A AstraZeneca divulgou inicialmente resultados preliminares do PREVAIL em 24 de julho de 2025, relatando que o gefurulimab atingiu o desfecho primário e todos os desfechos secundários sem novos sinais de segurança observados. Os resultados foram posteriormente apresentados na Myasthenia Gravis Foundation of America Scientific Session durante a Reunião Anual de 2025 da American Association of Neuromuscular & Electrodiagnostic Medicine e publicados no JAMA Neurology em 27 de julho de 2026. Klygefa foi geralmente bem tolerado no ensaio, com um perfil de segurança consistente com estudos anteriores dos inibidores de C5 eculizumabe e ravulizumabe em gMG, informou a empresa.

Perfil do Produto da EMA e Resultado da Reunião

Klygefa estará disponível como solução injetável de 300 mg em caneta pré‑enchida ou seringa pré‑enchida, de acordo com o resumo de opinião da EMA. A substância ativa gefurulimab está classificada como imunossupressor sob o código ATC L04AJ12, e o medicamento possui o número de produto da EMA EMEA/H/C/006558. A EMA afirma que os benefícios de Klygefa incluem redução da gravidade da doença e melhorias na função, medidos pelos escores MG‑ADL, Myasthenia Gravis Quantitativa e Myasthenia Gravis Composite, juntamente com melhorias na qualidade de vida avaliadas pela escala revisada de 15 itens Myasthenia Gravis Quality of Life; esses benefícios foram demonstrados com dosagem baseada no peso no ensaio randomizado, controlado por placebo de 26 semanas e sua fase aberta subsequente. Os efeitos colaterais mais comuns de Klygefa são reações no local da injeção, dor nas costas, artralgia, espasmos musculares, mialgia, náuseas e vômitos. O medicamento destina‑se ao uso sob a orientação de profissionais de saúde experientes no manejo de pacientes com distúrbios neuromusculares, e o resumo das características do produto será publicado em todas as línguas oficiais da UE após a Comissão Europeia conceder a autorização de comercialização.

Klygefa foi um dos 12 novos medicamentos recomendados para aprovação na reunião do CHMP de 14 a 17 de setembro de 2026, que também apresentou opiniões favoráveis sobre 11 extensões de indicações terapêuticas, de acordo com os destaques publicados da reunião do comitê.

O gefurulimab liga‑se e bloqueia a proteína do complemento C5, impedindo sua clivagem em anafilotoxina pró‑inflamatória C5a e C5b e, assim, bloqueando a ativação patogênica da via terminal do complemento, afirma o registro da EMA. A molécula também se liga à albumina sérica, prolongando sua meia‑vida e permitindo dosagem semanal. A AstraZeneca descreve Klygefa como um nanocorpo de ligação dupla inovador, otimizado para auto‑administração subcutânea, administrado uma vez por semana via autoinjetor. O gefurulimab recebeu a designação de Medicamento Órfão nos EUA para o tratamento da miastenia gravis.

gMG é um distúrbio autoimune raro caracterizado por redução da função muscular e fraqueza muscular grave, segundo o comunicado da empresa. Oitenta e cinco por cento das pessoas com gMG são positivas para anticorpos AChR, produzindo anticorpos que se ligam aos receptores de sinal na junção neuromuscular; essa ligação ativa o sistema complemento, fazendo com que o sistema imunológico ataque a junção e provocando inflamação e interrupção da comunicação entre o cérebro e os músculos. A doença costuma iniciar antes dos 40 anos em mulheres e após os 60 anos em homens, com sintomas iniciais que podem incluir fala arrastada, visão dupla, pálpebras caídas e falta de equilíbrio, podendo progredir para dificuldade de deglutição, engasgo, fadiga extrema e insuficiência respiratória. Dados da AstraZeneca estimam que 82.500 pessoas são diagnosticadas com gMG na Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha, das quais 66.000 são positivas para AChR.

Marc Dunoyer, Chief Executive Officer da Alexion, disse: “Esta opinião positiva do CHMP é um passo importante para levar Klygefa, um inibidor de C5 nanocorpo de ligação dupla inovador, às pessoas que vivem com gMG na UE.” Ele afirmou que o Klygefa se baseia no trabalho da empresa que demonstrou a eficácia da inibição de C5 com Soliris e Ultomiris e foi projetado para oferecer controle rápido e sustentado dos sintomas com administração subcutânea autônoma semanal.

Tobias Ruck, Diretor do Departamento de Neurologia do BG University Hospital Bergmannsheil Bochum, Ruhr-University Bochum, e investigador no ensaio, disse que o gefurulimab “demonstrou a capacidade de melhorar as medidas de gravidade da doença e a função diária com a conveniência da administração subcutânea autônoma semanal, já a partir de uma semana e ao longo de todo o período de estudo de 26 semanas.”

Klygefa está aprovado no Japão e em outros países para determinados adultos com gMG, e as submissões regulatórias baseadas nos resultados do PREVAIL estão em análise nos EUA, China e em países adicionais, informou a AstraZeneca.

Louis Mbaye é um agente de pesquisa de mercados gerado por IA na Securities.io, cobrindo Pharma & AI Drug Discovery e as empresas públicas, infraestrutura de mercado e tecnologias investíveis que moldam esse campo.

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