Ativos digitais
Evasão de Sanções com Criptomoedas é Mais Complicada do que Parece

Uma das maiores redes de jogos de azar ilegais do mundo, de acordo com um relatório recente da Reuters, tem enviado milhões de dólares em cripto através de uma operação iraniana de evasão de sanções.
Esta rede baseada em Dubai é um grande cliente da Shelbit, uma exchange de criptomoedas não licenciada considerada um hub da operação iraniana de movimentação de dinheiro, através da qual entidades sancionadas como o Banco Central do Irã acessam os mercados globais de cripto, segundo o relatório.
O banco central do Irã tem sido sancionado pelos US desde 2019 por apoiar o IRGC, a Força Quds e o Hezbollah.
O relatório mais recente indica que a Shelbit processou pelo menos US$ 4 bilhões desde maio de 2024 e movimentou valores de vários milhões de dólares para diversas exchanges proeminentes, incluindo a Binance.
A Binance, no entanto, afirmou que a Shelbit nunca teve uma conta em sua plataforma e que as transações vinculadas não foram consideradas de alto risco. Usuários associados à Shelbit foram investigados, e as contas relevantes foram congeladas e comunicadas às autoridades, disse a Binance em comunicado.
“Esta é de longe a maior rede iraniana de jogos de azar ilegal já descoberta e uma das maiores do mundo.”
– John Wojcik, Analista Sênior na TRM Labs
Há apenas alguns meses, o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou que os EUA haviam apreendido cerca de US$ 1 bilhão em cripto ligado ao Irã.
O uso de cripto na evasão de sanções não se limita ao Irã. Rússia e Coreia do Norte também têm participado dessas atividades. Dados da Chainalysis mostram que endereços ilícitos receberam pelo menos US$ 154 bilhões no ano passado, um aumento de 162 % em relação ao ano anterior (YoY).
Esse aumento foi principalmente impulsionado por um crescimento de 694 % no valor recebido por entidades sancionadas, totalizando US$ 104 bilhões no ano.
O relatório Crypto Crime também observou que a atividade cripto iraniana é dominada pelo Estado. Enquanto isso, a Coreia do Norte está utilizando mais de US$ 2 bilhões que roubou em cripto, no seu ano mais bem-sucedido, para “financiar seu programa de armas de destruição em massa (WMD)”.
Para empresas russas, a stablecoin A7A5, lastreada no rublo, está proporcionando uma ponte crucial para acessar mercados globais apesar das sanções. A stablecoin processou US$ 93,3 bilhões em menos de um ano.
Portanto, as mesmas criptomoedas que oferecem a pessoas na Argentina, Venezuela, Nigéria e Líbano proteção contra hiperinflação e sistemas bancários domésticos falhos também estão permitindo a evasão de sanções. Isso resultou em ações de aplicação, como a sanção de mixers de cripto pelos EUA, implementação mais rígida do regime MiCA da UE e maior escrutínio de exchanges e emissores de stablecoins.
Tudo isso demonstra uma preocupação crescente sobre a capacidade da cripto de minar sanções tradicionais. Mas não é tão simples. Enquanto as criptomoedas indubitavelmente criaram novas formas de mover e ocultar valor, elas também geraram registros transparentes em blockchain e ampliaram o papel de intermediários regulados que cooperam cada vez mais com as autoridades.
Em vez de tornar as sanções ineficazes, a cripto está remodelando como a evasão de sanções ocorre e onde os esforços de aplicação têm maior probabilidade de sucesso.
Como as Criptomoedas Estão Mudando a Evasão de Sanções
Bitcoin (BTC ) foi lançado após a crise financeira de 2008. A criptomoeda de valor de mercado trilionário foi criada para oferecer ao público um sistema de dinheiro eletrônico ponto‑a‑ponto que permite que qualquer pessoa transacione diretamente sem depender de governos ou instituições financeiras.
A ideia era eliminar a necessidade de terceiros confiáveis e garantir que nenhuma autoridade única, como um banco central ou corporação, controlasse o sistema, protegendo assim os fundos das pessoas de serem congelados ou confiscados por esses poderes centralizados. Enquanto isso, endereços de carteira pseudônimos dificultam, mas não impossibilitam, a identificação das contrapartes.
Essas mesmas características que permitem aos indivíduos alcançar liberdade e soberania financeira também facilitam a evasão de sanções.
Atores sancionados usam essas características para roubar cripto, gerar novas fontes de receita por meio de mineração, fazer transferências transfronteiriças fora do sistema bancário tradicional e lavar dinheiro através de mixers, protocolos descentralizados ou exchanges operando em jurisdições permissivas.
Por exemplo, Rússia e Irã têm usado sua energia barata para construir uma lucrativa indústria doméstica de mineração de criptomoedas. Há também a Coreia do Norte, que roubou mais de US$ 6 bilhões em cripto desde 2017.
De 2026 até abril, grupos de hackers norte‑coreanos foram responsáveis por 76 % de todas as perdas por hack de cripto. Curiosamente, apenas dois ataques totalizaram mais de meio bilhão de dólares: a violação do Drift Protocol (US$ 285 milhões) e a exploração da ponte KelpDAO (US$ 292 milhões), representando apenas 3 % do número de incidentes de 2026, mas 76 % do valor roubado. A TRM Labs afirmou em seu relatório:
“Essa proporção — pequeno número de ataques, participação desproporcional nas perdas — tem caracterizado a abordagem da Coreia do Norte na maioria dos anos desde 2017.”
Esses incidentes demonstram como Estados sancionados podem usar o ciberroubo para adquirir criptomoedas fora do sistema financeiro convencional. Transformar esses ativos roubados em recursos utilizáveis, porém, ainda requer lavagem, conversão e acesso à infraestrutura de apoio.

As capacidades da cripto não devem ser confundidas com um substituto das sanções tradicionais. Isso fica evidente em relatórios de empresas nativas de cripto que analisam essas atividades. Como as transações em blockchains são registradas permanentemente, elas permitem que empresas e governos rastreiem fluxos de transação completos assim que endereços de carteira são identificados.
Além disso, a cripto é altamente volátil, tem liquidez limitada em comparação com os mercados de capitais globais e, em última análise, precisa interagir com o sistema financeiro tradicional para sustentar atividades econômicas em larga escala.
O que isso mostra é que a cripto pode complicar a aplicação, mas não torna as sanções econômicas obsoletas. A descentralização da cripto, afinal, se aplica ao livro‑razão e não aos atores sancionados, deslocando o foco das blockchains para a infraestrutura que as conecta à economia convencional.
Isso inclui exchanges, emissores de stablecoins, custodians, provedores de análise de blockchain e rampas fiat on/off, que determinam se a cripto pode ser convertida em recursos econômicos utilizáveis.
Cada um desses oferece a oportunidade de aplicar sanções por meio de Conheça Seu Cliente (KYC), Anti‑Lavagem de Dinheiro (AML), monitoramento de transações e triagem de sanções. Só quando a conformidade é fraca que essas plataformas são usadas como canais para mover fundos.
Já vimos a nova autoridade da UE para colocar na lista negra plataformas de cripto não licenciadas e o congelamento de centenas de milhões de dólares pelo Tesouro dos US em exchanges.
Essas ações mostram que os governos podem implementar sanções de forma eficaz controlando os intermediários que dão usabilidade à cripto no mundo real, sem precisar regular as redes descentralizadas de blockchain em si.
Entretanto, é crucial notar que, em países sancionados ou economicamente instáveis, a cripto também é usada pela população geral para preservar poupanças e mover riqueza pessoal durante períodos de instabilidade financeira ou controles de capitais. Isso foi bem documentado na Venezuela e também na Rússia após a invasão da Ucrânia.
Portanto, não são apenas indivíduos sancionados, organizações criminosas ou entidades ligadas ao Estado que participam da evasão direcionada por meio de ciberroubo, ransomware, mineração ilícita e operações de lavagem; a cripto também oferece às pessoas comuns uma forma de proteger seus ativos.
Existe ainda outro nível de atividade: contorno em larga escala capaz de apoiar materialmente uma economia nacional.
Embora haja evidências para os dois primeiros níveis, uma revisão sistemática recente da literatura acadêmica e de políticas constatou que a escala e a viabilidade do terceiro permanecem incertas. Restrições de liquidez de mercado, volatilidade de preços e a necessidade contínua de converter ativos digitais em moeda fiduciária levantam dúvidas de que as criptomoedas possam atualmente substituir o acesso ao sistema financeiro internacional convencional em escala nacional.
As Lacunas em Nossa Compreensão
Um estudo de 2026 intitulado “Exploring the role of cryptocurrencies in sanctions evasion: a systematic review1” analisou de forma abrangente a literatura acadêmica e de políticas que examina criptomoedas e evasão de sanções, tentando identificar onde estão as lacunas reais.
Em vez de adicionar outro estudo de caso, os autores coletaram e organizaram sistematicamente a literatura existente. Para isso, trataram tanto pesquisas revisadas por pares quanto literatura “cinza” verificada, que inclui relatórios de think tanks, análises da indústria como a Chainalysis e descobertas da ONU e do Tesouro, como parte de uma base de evidências consolidada.
Importante, eles não fizeram suposições sobre se a cripto derrota ou tem pouco efeito nas sanções. Os pesquisadores simplesmente organizaram as evidências existentes, avaliaram reivindicações concorrentes e identificaram onde o conhecimento atual ainda está incompleto.
O estudo começa apontando uma “preocupação crescente tanto em círculos acadêmicos quanto de políticas de que o surgimento e a adoção generalizada de criptomoedas poderiam minar a eficácia das regulamentações financeiras”, que surgiu da “arquitetura descentralizada da cripto e da pseudonimidade inerente, que as tornam particularmente atraentes para atividades ilícitas”.
Embora o ocultamento de informações identificáveis torne mais difícil detectar transações vinculadas a indivíduos e entidades sancionados, as transações de cripto que ocorrem fora da supervisão dos canais financeiros tradicionais complicam a aplicação de sanções.
De acordo com o estudo, a pseudonimidade e a descentralização da cripto oferecem oportunidades reais de evasão, e Coreia do Norte, Rússia e Irã já usaram a tecnologia de maneiras documentadas.
Mas, como o estudo aponta, os efeitos práticos dessas características não são absolutos. A pseudonimidade está ao alcance regulatório, e apesar da arquitetura descentralizada, grande parte da atividade cripto passa por intermediários que podem ser supervisionados.
Portanto, “o escopo permanece para mitigar a evasão”, afirmou o estudo, acrescentando que “o panorama regulatório fragmentado torna isso uma empreitada complexa”.
A principal contribuição do estudo está em demonstrar que grande parte do debate baseia‑se em um número limitado de estudos de caso de alto perfil, deixando questões fundamentais sobre escala, mecanismos e eficácia regulatória sem resposta.
O estudo identifica três lacunas:
- Escala: Não existe estimativa confiável de quão grande é a evasão habilitada por cripto em relação aos métodos tradicionais. “A escala geral da evasão de sanções habilitada por criptomoedas permanece incerta, tanto em termos absolutos quanto em relação a outras práticas de evasão”, observaram os pesquisadores.
- Caminhos: A frequência com que diferentes rotas de evasão por cripto são usadas permanece mal documentada, e as condições regulatórias e de mercado específicas que as tornam viáveis são pouco compreendidas.
- Novidade: Ainda há debate genuíno sobre se a cripto representa algo estruturalmente novo ou se é simplesmente um conjunto de truques antigos de quebra de sanções, como arbitragem regulatória, intermediários de terceiros países e transações em camadas, operando em novas infraestruturas técnicas.
Apesar da novidade das características de design da cripto, os autores observaram que vários desses mecanismos são simplesmente “problemas antigos em uma nova aparência”.
“A literatura costuma tratar as criptomoedas como disruptivas devido às suas características de design, porém ainda há contestação se isso representa uma ruptura estrutural com técnicas de evasão anteriores ou um análogo funcional que difere principalmente em forma, não em lógica”, argumentaram os autores.
Se as dinâmicas subjacentes são em sua maioria familiares, então o manual existente de regulação de intermediários, requisitos AML/KYC e coordenação multilateral deve funcionar razoavelmente bem quando aplicado de forma consistente.
Mas se a cripto representar algo estruturalmente diferente, então ferramentas regulatórias mais inovadoras podem ser necessárias, afirmou o estudo.
Os pesquisadores então argumentam que o desafio central não é mais simplesmente entender a tecnologia blockchain; antes, trata‑se de identificar as condições regulatórias e de mercado que determinam se os intermediários se tornam pontos de estrangulamento de aplicação ou vias de contorno.
“Criptomoedas não são moeda legal e não funcionam de forma confiável como meio de troca ou reserva de valor, principalmente devido à sua baixa adoção e alta volatilidade”, observaram os autores. “Como resultado, os atores que buscam evadir sanções dependem tipicamente da liquidação de seus ativos, pois estão expostos a um grau significativo de risco ao preservar sua riqueza na forma de criptomoedas.”
A revisão da literatura também vinculou lacunas empíricas a questões maiores sobre soberania e poder. Pergunta‑se se os Estados ainda podem controlar fluxos financeiros transfronteiriços em um sistema desterritorializado, ou se esse controle está silenciosamente migrando para intermediários privados e infraestrutura técnica que realmente movimentam o dinheiro. O estudo afirmou:
“Além das incertezas empíricas, resolver essas lacunas impacta diretamente se os Estados mantêm a capacidade de afirmar autoridade, direcionar os pontos críticos pelos quais as sanções são aplicadas e alavancar sua posição estrutural dentro do sistema financeiro internacional para exercer pressão.”
Ao mudar o foco das redes descentralizadas para exchanges, provedores de serviços e coordenação regulatória, a pesquisa oferece um quadro mais realista para avaliar a eficácia das sanções.
Para os formuladores de políticas, isso sugere que a futura aplicação de sanções dependerá cada vez mais da supervisão coordenada da infraestrutura cripto, em vez de tentativas de regular diretamente protocolos descentralizados.
Mas se os esforços de mitigação dos governos se mostrarem insuficientes, o artigo alerta que a cripto tem o potencial de redistribuir poder dos Estados para redes e sistemas técnicos. Isso acarretaria implicações operacionais e normativas, dado o enfoque de autonomia‑primeiro da cripto, dificultando tentativas de retomar o controle.
“Em última análise, se as criptomoedas permanecerão uma complicação marginal na aplicação de sanções ou se tornarão um catalisador para transformações mais amplas em soberania, governança e poder depende de como essas dinâmicas evoluem”, concluiu o estudo.
Se intermediários regulados estão se tornando a camada primária de aplicação da economia cripto, investidores devem prestar atenção especial a plataformas com escala, tecnologia e infraestrutura regulatória necessárias para operar sob padrões de conformidade cada vez mais exigentes.
Coinbase Global, Inc. (NASDAQ: COIN)
A Coinbase, com capitalização de mercado de US$ 40,5 bilhões, é a maior exchange de cripto dos EUA, atendendo agora usuários em mais de 100 jurisdições em seis continentes. Isso ajudou a empresa a alcançar US$ 5,2 trilhão em volume total de negociação em 2025. Sua participação de mercado no volume de negociação de cripto, por sua vez, saltou para um recorde de 10,3 % no segundo trimestre de 2026.
COIN Gráfico de preços
Conforme a exchange regulada, seu objetivo é atualizar o sistema financeiro expandindo a utilidade e adoção da cripto, que a Coinbase acredita “ter a capacidade de aumentar a liberdade econômica e oportunidades ao redor do mundo”.
Com o documento identificando exchanges de criptomoedas reguladas como pontos críticos de aplicação, a Coinbase oferece uma opção de investimento atraente dado seus recursos de conformidade, incluindo triagem de sanções, verificação de identidade, monitoramento de transações e cooperação com reguladores.
Para aderir a regulamentos globais e locais, a exchange possui uma plataforma de verificação de identidade (IDV) que usa uma abordagem multilayer. Ela utiliza uma combinação de aprendizado de máquina (ML) e revisão humana para uma experiência fluida. Enquanto as verificações de documentos baseadas em ML ajudam a detectar falsificações sutis e imagens sintéticas, revisores humanos preenchem as lacunas que os modelos treinados em ML podem perder devido a limitações técnicas.
A plataforma também criou um programa de Conformidade de Crimes Financeiros que incorpora todos os controles esperados de uma instituição financeira tradicional. Isso inclui sua ferramenta proprietária chamada Interdiction Solution, desenvolvida especificamente para combater violações de sanções e ajudar na recuperação de fundos por meio de interdição, permitindo que a Coinbase monitore transações de cripto em tempo real, congele ativos e os transfira para uma conta interna de custódia.
Graças a essas soluções, plataformas centralizadas como a Coinbase ajudam reguladores a restaurar a supervisão nos pontos onde a criptomoeda entra ou sai do sistema financeiro convencional.
Mas não é que a exchange se beneficie da evasão de sanções; ao contrário, o modelo de negócios da Coinbase depende de demonstrar conformidade robusta com as regulamentações financeiras globais. O inevitável aperto nas regulamentações e na aplicação pode, na verdade, fortalecer a posição competitiva de plataformas grandes, bem capitalizadas e reguladas como a Coinbase, dada sua capacidade de absorver requisitos de conformidade cada vez mais onerosos graças a equipes de compliance estabelecidas, sistemas sofisticados de monitoramento de transações e relacionamentos de longa data com reguladores e parceiros bancários.
Isso pode ser um empreendimento caro para exchanges menores ou pouco supervisionadas, e à medida que as regulamentações se estreitam, a indústria pode se consolidar em torno de plataformas grandes e em conformidade.
Entretanto, isso também cria exposição para a Coinbase na forma de multas, danos reputacionais ou restrições a serviços e jurisdições específicas se falhar em cumprir. Quanto mais central uma exchange se torna para a economia cripto legítima, maiores são os riscos quando ocorrem falhas de aplicação.
A Coinbase tem assegurado vitórias regulatórias recentemente. Mais recentemente, venceu a rejeição de uma ação judicial em que clientes a acusavam de vender valores mobiliários ilegalmente sem se registrar como exchange ou corretora. Uma vitória muito maior ocorreu no ano passado, quando a SEC retirou sua ação contra a exchange, que a acusava de operar como uma bolsa de valores não registrada e oferecer valores mobiliários não registrados por meio de seu programa de staking.
Essas vitórias surgiram à medida que a cripto ganha clareza regulatória, especialmente nos US, onde a indústria agora aguarda a aprovação do CLARITY Act.
O projeto de lei criará um marco regulatório federal para cripto no país, e o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, tem defendido o ato, chamando-o não apenas de “uma vitória para os usuários de cripto”, mas também “para o futuro da América como líder global em finanças, inovação e segurança nacional”.
Conclusão
Com sua descentralização, ausência de permissão, pseudonimidade e resistência à censura, as criptomoedas oferecem uma alternativa poderosa aos sistemas financeiros tradicionais, permitindo que indivíduos preservem sua riqueza.
Essas mesmas características, porém, ajudam a evadir sanções, mas não substituem fundamentalmente o poder das sanções econômicas. Embora facilitem a evasão direcionada por indivíduos sancionados e atores ligados ao Estado, a capacidade da cripto de sustentar um contorno nacional de sanções em larga escala permanece não comprovada.
Aqui, o fator decisivo passa a ser a governança da infraestrutura cripto. Isso pode favorecer exchanges bem capitalizadas, emissores de stablecoins, custodians e outros intermediários capazes de absorver custos de conformidade crescentes, ao mesmo tempo em que aumenta a pressão sobre plataformas que operam fora de supervisão regulatória eficaz.
Referências
- Koidis, O. A., Giumelli, F. & Gstrein, O. J. Explorando o papel das criptomoedas na evasão de sanções: uma revisão sistemática. Journal of Financial Crime (2026). https://doi.org/10.1108/JFC-05-2025-0130?utm_source=chatgpt.com












