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Blockchain e práticas ambientais: energia na mineração e recompensas em tokens em 2022

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A proteção ambiental e os hábitos sustentáveis estavam entre os grandes temas de 2022. Os impactos diretos e indiretos da atividade humana motivavam debates entre líderes e organismos internacionais, enquanto cresciam as preocupações com uma crise energética global.

A produção e o consumo de energia estão ligados a vários problemas ambientais importantes. O artigo citava o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente ao atribuir ao setor energético cerca de dois terços das emissões humanas de gases de efeito estufa. A queima de combustíveis fósseis para aquecimento, eletricidade, transporte e indústria libera CO2. Em 2022, o IPCC destacou a necessidade de cortes profundos e apresentou caminhos que poderiam reduzir as emissões globais quase pela metade até 2030. Tratava-se de possibilidades de mitigação, não de uma garantia de que esses cortes já estivessem aprovados ou realizados.

Criptomoedas e meio ambiente

Algumas criptomoedas recebem críticas pelas emissões associadas à energia necessária para minerar seus tokens. O mecanismo de consenso proof-of-work (PoW) do Bitcoin usa eletricidade numa competição computacional, com consumo anual comparável ao de alguns países. As estimativas da Digiconomist citadas no artigo apontavam 132,82 TWh por ano, valor comparado ao consumo elétrico da Argentina, e uma pegada de carbono anual de 74,08 milhões de toneladas de CO2. A unidade MtCO2 corresponde aqui a milhões de toneladas, não a apenas 74,08 toneladas. Eram estimativas de modelo da época, não medições atuais. Outras estimativas, do Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index (CBECI), foram apresentadas como uma faixa de 97 a 149 TWh anuais. Métodos e datas diferentes não devem ser tratados como uma única medição definitiva.

O gasto energético do PoW aumentou o interesse por mecanismos de consenso menos intensivos em eletricidade. O Ethereum passou do PoW para o proof-of-stake (PoS) em setembro de 2022. Projetos novos de camada 1 usam expressões como verde, ecológico e sustentável em seus documentos técnicos, mas esses rótulos não comprovam o desempenho ambiental. Em abril de 2021 surgiu o Crypto Climate Accord (CCA), iniciativa privada inspirada no Acordo de Paris que busca descarbonizar o setor de cripto e blockchain com ferramentas e soluções abertas. O artigo mencionava mais de 250 apoiadores, entre empresas e indivíduos dos setores de cripto, finanças, tecnologia, ONGs, energia e clima. Ser apoiador não certifica que uma organização já tenha eliminado suas emissões.

A busca por mineração mais sustentável também levou empresas existentes e novas a estudar o aproveitamento de energia que seria desperdiçada. Porém, utilizar um recurso residual não torna uma operação automaticamente isenta de emissões ou de impactos ambientais adicionais.

Um exemplo é gerar eletricidade com metano sem infraestrutura viável de transporte ou comercialização (CH4). Esse gás de efeito estufa pode escapar na produção e no transporte de carvão, gás natural e petróleo. O artigo citava uma participação de cerca de 20% nas emissões globais, cifra que exige o contexto de conversão dos efeitos climáticos dos gases e não representa uma simples comparação de suas massas. A EZ Blockchain trabalha com produtores de petróleo e gás para converter em eletricidade para mineração o gás que seria liberado ou queimado em flares. Reduzir a liberação direta de metano ou melhorar sua combustão pode diminuir o impacto climático, mas queimar metano continua emitindo CO2. Portanto, essa eletricidade não é necessariamente livre de carbono; o resultado depende de vazamentos e do destino que o gás teria sem o projeto.

O artigo apresentava a Autonomous como uma mineradora que usava apenas eletricidade eólica e solar. Já a Stronghold Digital Mining, na Pensilvânia, utiliza resíduos antigos de carvão de minas abandonadas para gerar energia e minerar Bitcoin. Esses depósitos podem estar próximos de casas e contaminar cursos de água, de modo que a remoção pode ajudar na recuperação das áreas. A queima, contudo, emite gases de efeito estufa. O artigo mencionava a remoção de até 95% dos gases emitidos, mas essa afirmação não comprova a captura de 95% do CO2. Os controles descritos pela empresa em 2022 tratavam de poluentes como dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio, partículas e mercúrio. Controlar esses poluentes é diferente de capturar carbono ou produzir energia sem emissões.

Como a blockchain pode estimular práticas ambientais

Programas de recompensa são uma forma de incentivar mudanças de comportamento. Sistemas de reciclagem em vários países estimulam famílias e outros geradores de resíduos a reutilizar e reciclar plástico e outros materiais. Um estudo feito em Vaasa, na Finlândia, também está disponível no ResearchGate. Seus autores, Beatrice Abila e Jussi Kantola, investigaram percepções sobre os incentivos financeiros. O artigo citava que 62,6% dos participantes os consideravam um fator importante para a mudança de comportamento. Era uma pesquisa de opinião com 123 pessoas recrutadas em instituições de ensino superior, não um retrato de todos os finlandeses nem prova de mudança efetiva de hábitos.

A blockchain permite representar recompensas por tokens e programar pagamentos automáticos mediante condições definidas. A dificuldade de alterar registros não impede, por si só, dados falsos ou fraude na atividade recompensada. Aplicativos Web3 de hábitos e estilo de vida oferecem tokens por metas cumpridas, mas a negociação e a conversão em dinheiro dependem de liquidez, mercado e regras do serviço. Move-to-earn associa movimento a recompensas, enquanto learn-to-earn faz o mesmo com a aprendizagem. O STEPN é um exemplo em que usuários com tênis NFT podem ganhar GST ao cumprir condições de atividade e energia do aplicativo. Isso não equivale a renda garantida apenas por fazer exercício.

O artigo descrevia a Drivn como um ecossistema que pretendia recompensar deslocamentos com menor pegada de carbono. Os tokens deveriam incentivar o uso de bicicletas, carros elétricos e outras escolhas de transporte de menor emissão. Essa era a proposta do serviço, não uma comprovação de reduções em todas as viagens ou de pagamentos contínuos e garantidos.

As experiências de outros aplicativos de recompensa mostram a possibilidade de aplicar incentivos em tokens a hábitos ambientais. Popularidade e recompensas pagas, porém, não comprovam sozinhas uma mudança duradoura de comportamento ou uma redução das emissões: o resultado depende do desenho do programa e das ações efetivas dos usuários.

Mandela é um entusiasta de criptomoedas desde 2017. Ele ama codificar e escrever sobre tecnologias emergentes. Ele tem um entendimento profundo de tecnologia de registro distribuído e da pilha de tecnologia Web3. Ele gosta de pesquisar novos projetos de criptomoeda.