Energia
BP concorda em vender participações da Shell no Brasil e nas perspectivas do Golfo da América

BP e Shell concordaram com os termos para que a Shell adquira participações em duas perspectivas de exploração operadas pela BP, uma no litoral do Brasil e outra no Golfo da América em águas profundas, BP anunciou em 2 de setembro de 2026.
De acordo com os termos acordados, a Shell adquirirá uma participação de 50% no bloco de exploração Tupinambá, na Bacia de Santos, em alto mar no Brasil, e uma participação de 30% em cinco concessões que contêm a perspectiva de exploração Conifer, no Paleogênio do Golfo da América em águas profundas. A BP manterá os 50% restantes no Tupinambá e 70% no Conifer, e continuará como operadora de ambos os ativos.
As entidades da Shell adquirentes são divididas por região geográfica. A Shell Brasil Petróleo Ltda adquirirá a participação no Tupinambá, enquanto a Shell Offshore Inc. adquirirá a participação no Conifer e assumirá as cinco concessões que cobrem a perspectiva.
A BP afirmou que as transações apoiam sua abordagem disciplinada de alocação de capital, visando tornar‑se uma empresa mais simples, mais forte e mais valiosa.
Gordon Birrell, vice‑presidente executivo da BP para upstream, disse: “O Brasil e o Golfo da América são regiões importantes para a BP, e reunir dois operadores experientes pode ajudar a desbloquear o potencial de ambas as oportunidades. Essa colaboração ajudará a fortalecer nossa posição em ambas à medida que avançamos nas atividades de exploração.”
A conclusão da transação do Tupinambá permanece sujeita a aprovações regulatórias, informou a BP. A empresa não divulgou os termos financeiros de nenhuma das transações em seu anúncio.
Como as duas posições foram montadas
A BP recebeu o bloco Tupinambá em dezembro de 2023, sob o segundo ciclo de Oferta Permanente de partilha de produção. A Pré‑Sal Petróleo S/A continuará a gerir o Contrato de Partilha de Produção em nome do governo federal do Brasil após a entrada da Shell no bloco.
A posição Conifer foi construída por meio de duas licitações de concessões offshore dos EUA. A BP recebeu quatro concessões que cobrem a perspectiva Conifer em agosto de 2023, após a Licitação 259, e a quinta concessão foi concedida em fevereiro de 2026, após a Licitação BBG‑1.
O Bureau of Ocean Energy Management realizou a Licitação 259 em 29 de março de 2023, conforme exigido pela direção do Congresso na Lei de Redução da Inflação de 2022, de acordo com o BOEM. A licitação gerou $263,801,783 em lances altos para 313 lotes cobrindo 1.6 milhão de acres nas águas federais do Golfo do México. Um total de 32 empresas participou, apresentando $309,798,397 em lances totais, e a licitação ofereceu aproximadamente 13,600 blocos não concedidos, cobrindo cerca de 73 milhão de acres nas Áreas de Planejamento Ocidental, Central e Oriental do Golfo.
O BOEM informou que as concessões resultantes da licitação incluem estipulações para mitigar possíveis efeitos adversos sobre espécies protegidas e evitar potenciais conflitos com outros usos oceânicos na região. As receitas recebidas das concessões de petróleo e gás offshore — incluindo lances altos, pagamentos de aluguel e pagamentos de royalties — são direcionadas ao Tesouro dos EUA, aos estados da Costa do Golfo — Texas, Louisiana, Mississippi e Alabama — e seus governos locais, ao Fundo de Conservação de Terras e Águas e ao Fundo de Preservação Histórica, segundo o bureau.
Em 24 de fevereiro de 2026, o BOEM anunciou um Registro de Decisão reafirmando suas decisões anteriores relativas às Licitações de petróleo e gás da Plataforma Continental Externa do Golfo da América 259 e 261. Essa decisão seguiu a publicação, em 29 de agosto de 2025, da Declaração de Impacto Ambiental Programática Final para as licitações regionais do Golfo da América e atividades pós‑licitação, que fornece um quadro para a revisão ambiental futura de planos pós‑licitação, permissões e atividades específicas de locais, de acordo com o bureau.
Posição da BP no Brasil e Cronograma de Perfuração
Sobre a atividade nas duas perspectivas, a BP informou que o poço de exploração Tupinambá deve iniciar a perfuração em breve, enquanto o poço de exploração Conifer está previsto para ser perfurado em 2027.
A redução de participação adiciona um parceiro ao portfólio brasileiro que a BP tem expandido. A empresa disse em agosto de 2025 que detém participação em oito blocos offshore em três bacias no Brasil, operando quatro deles, e que está presente no país há mais de 50 anos. A BP também afirmou na época que um poço de exploração estava planejado para o bloco Tupinambá em 2026.
Essa divulgação acompanhou o anúncio da BP de uma descoberta de petróleo e gás no bloco Bumerangue, também na Bacia de Santos, a 404 quilômetros do Rio de Janeiro, em uma profundidade de água de 2,372 metros. A BP detém 100% de participação no Bumerangue, com a Pré‑Sal Petróleo S.A. como gestora do Contrato de Partilha de Produção, e assegurou o bloco em dezembro de 2022, durante o primeiro ciclo da rodada de partilha de produção de áreas abertas do Brasil, com termos que incluem 80% de óleo de custo e 5.9% de óleo de lucro. A BP descreveu o Bumerangue como sua maior descoberta em 25 anos, e Birrell afirmou na época que a ambição da empresa era explorar o potencial de estabelecer um hub de produção material e vantajoso no Brasil.












