Market Notícias
AURELIUS concorda em adquirir a unidade Enterprise Campus Edge da Nokia

Em 13 de outubro de 2026, a Nokia anunciou que assinou um acordo definitivo para a aquisição proposta, pela AURELIUS, de sua unidade Enterprise Campus Edge (ECE). A conclusão da transação, prevista para o primeiro semestre de 2027, está sujeita às condições habituais de fechamento.
As condições para a conclusão incluem a realização de eventuais processos obrigatórios de informação e consulta aos representantes dos trabalhadores, quando aplicável, e a obtenção das aprovações regulatórias. Nos termos do acordo, espera-se que os funcionários da ECE sejam transferidos com a unidade na conclusão da transação, de acordo com as leis e os processos locais aplicáveis. As empresas afirmaram que estão cooperando estreitamente para garantir a continuidade do atendimento aos clientes existentes e aos funcionários e apoiar uma transição tranquila. Os termos financeiros do acordo não foram divulgados. A PwC Germany atuou como consultora em fusões e aquisições (M&A) e serviços de transação da Nokia, e a Roschier atuou como assessora jurídica.
Perfil da Enterprise Campus Edge
A Nokia descreve a ECE como uma líder reconhecida do setor em conectividade sem fio privada, atendendo a quase 900 clientes de diversos setores em todo o mundo, entre eles manufatura, mineração, logística, aeroportos, portos e geração de energia. Seu portfólio inclui dispositivos industriais, soluções de computação de borda e microborda para tecnologia operacional (OT) instaladas nas dependências dos clientes, além de aplicativos de software que viabilizam casos de uso industriais baseados em IA. Segundo a empresa, a plataforma de digitalização da ECE ajuda as organizações a melhorar o desempenho operacional, ampliar a automação e aprimorar a sustentabilidade e a segurança dos trabalhadores, conectando ativos e processando dados de OT nas próprias instalações para reforçar a segurança e a soberania dos dados.
A Nokia afirmou que a transação está alinhada à sua estratégia de concentrar capital nas áreas em que a empresa pode se diferenciar e criar valor no longo prazo. Também disse que, como empresa independente sob a propriedade da AURELIUS, espera-se que a ECE se beneficie de maior autonomia e de um foco estratégico dedicado.
“Esta transação planejada está alinhada à estratégia da Nokia de otimizar seu portfólio e direcionar capital e recursos às áreas em que pode criar o maior valor no longo prazo”, afirmou Konstanty Owczarek, diretor de desenvolvimento corporativo da Nokia. “Ela também oferece à ECE uma base sólida para sua próxima fase de crescimento como empresa independente. Durante toda a transição, nossa prioridade será dar continuidade ao crescimento da empresa e garantir a continuidade do atendimento aos clientes existentes e aos funcionários.”
Fabian Steger, diretor-geral do AURELIUS Fund IV and V, afirmou: “A ECE é uma empresa sólida, com tecnologia diferenciada, uma equipe talentosa, presença global e uma base de clientes consolidada, que inclui muitas empresas da Fortune 500 de diversos setores. Vemos oportunidades significativas para a ECE fortalecer sua posição de liderança em 5G privado e computação de borda industrial como empresa independente, ampliar seu portfólio para áreas emergentes, como automação industrial baseada em IA, e ajudar os clientes a acelerar a digitalização e a automação de suas operações.”
Reorganização do portfólio e operações descontinuadas
A alienação da ECE ocorre após uma reorganização implementada pela Nokia no início de 2026. A partir de 1º de janeiro de 2026, a Nokia transferiu várias unidades que não considerava centrais para sua estratégia futura para um segmento operacional dedicado chamado Portfolio Businesses, enquanto avaliava a melhor oportunidade para gerar valor com elas. As unidades transferidas foram Fixed Wireless Access CPE (FWA CPE) e Site Implementation and Outside Plant, ambas anteriormente alocadas a Fixed Networks, dentro de Network Infrastructure; Enterprise Campus Edge, anteriormente alocada a Cloud and Network Services; e Microwave Radio, anteriormente alocada a Mobile Networks.
No segundo trimestre de 2026, a Nokia classificou as unidades FWA CPE e Enterprise Campus Edge como operações descontinuadas. A classificação ocorreu após a Nokia chegar a um acordo para vender sua unidade FWA CPE à Inseego e avaliar que era altamente provável que chegasse a um acordo para vender a Enterprise Campus Edge.
Em seu relatório do segundo trimestre e do primeiro semestre de 2026, apresentado no Formulário 6-K datado de 23 de julho de 2026, a Nokia informou um prejuízo de EUR 22 milhões com operações descontinuadas no segundo trimestre, ante um prejuízo de EUR 3 milhões no mesmo período de 2025. No primeiro semestre de 2026, o prejuízo informado com operações descontinuadas foi de EUR 39 milhões, ante EUR 23 milhões um ano antes. Em 30 de junho de 2026, a empresa informou ativos mantidos para venda no valor de EUR 48 milhões e passivos associados a ativos mantidos para venda no valor de EUR 31 milhões.
A Nokia afirmou que, se as duas unidades não tivessem sido tratadas como operações descontinuadas no segundo trimestre de 2026, suas vendas líquidas teriam sido EUR 66 milhões maiores e o lucro operacional comparável, EUR 13 milhões menor. A mudança na apresentação também levou a uma revisão técnica de EUR 0,1 bilhão na projeção de lucro operacional comparável da Nokia para o ano inteiro de 2026, que agora é de EUR 2,1 bilhões a EUR 2,6 bilhões, ante a projeção anterior de EUR 2,0 bilhões a EUR 2,5 bilhões. A Nokia afirmou que sua perspectiva operacional para o ano não mudou.
Junto com o relatório trimestral, a Nokia publicou informações financeiras comparativas reapresentadas em 23 de julho de 2026, refletindo a apresentação das operações descontinuadas do Grupo Nokia e de seus segmentos reportáveis. Os valores reapresentados mostram que, após a reclassificação, o segmento remanescente de Negócios de Portfólio registrou vendas líquidas de 94 milhões de euros e resultado operacional de 0 milhão de euros no segundo trimestre de 2026, em comparação com vendas líquidas de 89 milhões de euros e prejuízo operacional de 11 milhões de euros no segundo trimestre de 2025.












