Entrevistas
Arthur Azizov, Fundador e Investidor da B2 Ventures – Série de Entrevistas

Arthur Azizov é o Fundador e Investidor da B2 Ventures, uma aliança fintech privada que engloba um portfólio de projetos financeiros e de tecnologia, incluindo B2BROKER e B2BINPAY. Um empreendedor em série com mais de uma década de experiência, ele tem estado na vanguarda da inovação em tecnologia financeira, transformando liquidez, negociação e serviços de pagamento.
Nesta entrevista, exploramos como a B2 Ventures está reduzindo barreiras ao financiamento institucional, expandindo a infraestrutura cripto e capacitando a próxima geração de operadores fintech.
Você construiu um impressionante ecossistema fintech que abrange liquidez, pagamentos e infraestrutura de corretagem. O que originalmente o inspirou a seguir esse caminho — e qual problema você estava mais apaixonado em resolver quando iniciou a B2 Ventures?
Quando lançamos o negócio em 2014, o maior obstáculo era a barreira de entrada extremamente alta. Iniciar uma empresa financeira não era apenas difícil — era quase impossível sem capital substancial. Você precisava de milhões para construir a infraestrutura do zero, uma equipe forte de engenheiros e os recursos para pagar altas taxas aos fornecedores de tecnologia. Na época, o SaaS ainda estava surgindo, e não havia soluções plug-and-play ou opções de implantação rápida.
Essa falta de acessibilidade significava que o mercado não estava evoluindo. Havia poucos produtos únicos ou de alta qualidade porque o limiar de entrada filtrava a maioria dos empreendedores aspirantes. E quando você não tem concorrência forte, há pouco incentivo para inovar. Mas a concorrência é o verdadeiro motor do progresso — ela empurra cada empresa a construir soluções melhores e mais valiosas para seus clientes. Como Friedrich Hayek disse uma vez, “A concorrência é um procedimento de descoberta.” É exatamente assim que vemos — cada novo entrante pode trazer algo único, e isso beneficia todo o ecossistema.
Nossa ideia central era reduzir essa barreira drasticamente e tornar a infraestrutura fintech acessível a mais pessoas — especialmente fundadores jovens e ambiciosos com ideias novas. Por isso construímos primeiro o B2CORE e, a partir daí, expandimos para toda uma família de produtos com a mesma missão: permitir que qualquer pessoa entre no mercado rapidamente, construa de forma eficiente e desafie o status quo. Não queríamos apenas participar do espaço fintech — queríamos abrir a porta para a próxima onda de inovadores transformá-lo.
Você está lançando agora uma solução turnkey de Provedor de Liquidez através do B2BROKER. Qual foi o momento ou insight que fez você perceber que o mercado precisava dessa oferta específica?
O B2BROKER foi um dos primeiros a reduzir a barreira de entrada na infraestrutura fintech. Esse sucesso inicial gerou uma onda — agora todos querem entrar no espaço B2B. De um lado, há grandes empresas B2C como Revolut ou Exness que buscam expandir para mercados institucionais. Do outro, corretoras de médio porte buscam diversificação e fluxos de receita mais fortes.
Vimos essa mudança e percebemos algo crucial: o mercado não precisava apenas de mais acesso — precisava de acesso mais inteligente e eficiente. Muitas empresas querem experimentar o B2B, mas sem o parceiro certo, acabarão desperdiçando recursos massivos ou falhando completamente. É aí que entramos — não como concorrentes, mas como facilitadores. Nosso objetivo sempre foi capacitar o mercado.
Com nossa solução turnkey de Provedor de Liquidez, estamos levando essa capacitação a um novo nível. Somos os primeiros a oferecê-la nesta escala, e acreditamos que muitas empresas vão tentar construí-la por conta própria — com todo o risco e custo — ou se associar a alguém que já entende o caminho para o sucesso. Esse somos nós.
Nosso modelo é construído sobre crescimento mútuo: quanto mais nossos clientes crescem, mais nós crescemos.
Corretoras e bancos estão cada vez mais mudando de modelos focados no varejo para a construção de infraestrutura institucional. O que está impulsionando essa evolução, e como você vê isso transformando o panorama da indústria?
A mudança que vemos hoje está profundamente ligada a duas grandes tendências: o crescente acesso financeiro global e a maturidade da infraestrutura fintech. Mais pessoas do que nunca têm acesso à internet e, com isso, acesso a ferramentas financeiras. Negociação e investimento se tornaram mainstream — há 20 anos, eram fundos de hedge e profissionais de Wall Street. Hoje, todos, de estudantes a empreendedores, estão se tornando investidores.
Essa demanda cria pressão sobre corretoras e bancos de varejo para evoluir. Eles precisam oferecer mais do que apenas plataformas de negociação front-end — precisam construir sistemas escaláveis de nível institucional que possam atender a uma base de clientes diversificada, de investidores individuais a gestores de fundos. A era do varejo impulsionou a acessibilidade. Agora, a era institucional trata de confiança, profundidade e durabilidade.
Também estamos em um ambiente de investimento de alto risco. Com taxas de juros altas e mercados voláteis, o capital está se movendo de forma mais cautelosa. Corretoras buscam novas fontes de receita, e entrar no espaço institucional é um passo lógico. Mas não se trata apenas de oferecer ferramentas melhores, mas de se tornar parte de um novo ecossistema financeiro mais interconectado.
É por isso que vemos essa transformação como uma evolução natural. Provedores de infraestrutura como nós não são mais apenas fornecedores de software — somos parceiros estratégicos de crescimento.
Modelos Prime-of-Prime — onde corretoras atuam como intermediárias oferecendo liquidez de nível institucional de provedores Tier-1 para empresas menores — eram considerados nicho. O que mudou no mercado para que esse modelo se torne uma estratégia de crescimento mainstream para corretoras hoje?
A principal mudança é o acesso. Nos últimos anos, as regulamentações se apertaram significativamente, e bancos Tier-1 e corretoras prime tornaram-se muito menos acessíveis. Essas instituições já são extremamente lucrativas — simplesmente não têm interesse em incorporar clientes menores ou mais novos. Portanto, para uma nova corretora ou provedor de liquidez, conectar-se diretamente a um Tier-1 é praticamente impossível.
Você está preso em um dilema — precisa de volume para entrar, mas precisa de acesso para crescer o volume. Enquanto a inclusão financeira no varejo está em alta graças ao acesso à internet, o acesso institucional ainda não acompanhou. É aí que os modelos Prime-of-Prime entram — eles preenchem essa lacuna. Ao mesmo tempo, construir uma corretora B2C hoje é incrivelmente complexo e caro. Você precisa de presença local, regulamentação, marketing, parceiros de vendas — é um esforço pesado. Em contraste, atuar como parceiro de liquidez para corretoras em toda uma região, como a América Latina, é muito mais escalável e estratégico.
Então, sim, começou como um modelo de nicho. Mas agora, está claro que, com a crescente demanda institucional e barreiras estruturais de mercado, o Prime-of-Prime está se tornando o caminho lógico de crescimento. Ele permite que corretoras escalem sem serem bloqueadas por guardiões legados — e isso é uma vantagem poderosa.
Quais são os principais pontos de dor que seu produto Turnkey de Provedor de Liquidez resolve para corretoras e bancos que tentam transitar para ofertas de nível institucional?
Lançar uma operação de nível institucional é um desafio sério. Você não lida mais com clientes de varejo em escala — está trabalhando com menos clientes, tickets maiores e expectativas muito mais altas. O custo dos erros dispara. Esse é exatamente o problema central que resolvemos: ajudar nossos clientes a evitar erros custosos oferecendo uma infraestrutura completa e comprovada.
Primeiro, há o acesso ao mercado. Nossa liquidez é genuinamente institucional, graças à agregação real e fortes relacionamentos com provedores. E não é apenas marketing, é qualidade de execução que você sente em cada instrumento.
Segundo, a infraestrutura técnica. Configurar e manter um hub de liquidez, integrar locais de execução e ajustar a lógica de agregação interna é incrivelmente complexo. Mesmo que você encontre um Prime Broker, construir a configuração correta do zero é quase impossível sem uma equipe experiente. E encontrar especialistas em plataformas como OneZero ou PrimeXM? Eles são raros e caros. Construímos essa expertise ao longo dos anos — e a oferecemos como um serviço pronto para uso.
Também fornecemos a pilha completa: do nosso CRM B2CORE ao desenvolvimento web e infraestrutura de pagamentos. Precisa de ajuda com licenciamento? Também cuidamos disso. Tudo foi projetado para minimizar custos e o tempo de lançamento no mercado. Fizemos essa jornada nós mesmos. Sabemos quanto custa — e quantos erros esperam aqueles que tentam fazer tudo sozinhos. Nossa solução Turnkey trata de transferir essa experiência, economizar tempo e acelerar o crescimento de nossos clientes — porque, como mencionei antes, se eles têm sucesso, nós também temos.
Você pode nos guiar sobre como é o processo típico de lançamento para um cliente que usa sua solução turnkey — desde a pilha tecnológica até licenciamento e conformidade?
Para operar esse tipo de negócio legalmente, a primeira coisa que você precisa é uma licença adequada. Não há como contornar — sem ela, você não passa nas verificações de conformidade, e parceiros sérios nem sequer conversarão com você. No B2B, todos analisam sua contraparte e risco de crédito. Você pode tentar atalhos com jurisdições cinzentas, mas isso matará sua credibilidade desde o primeiro dia.
Portanto, o licenciamento costuma ser a primeira e mais longa etapa — pode levar até um ano. Mas temos nossos próprios consultores jurídicos que cuidam de tudo: preparar documentos, gerenciar a comunicação com o regulador e orientar o cliente por todo o processo. Se o cliente for rápido e focado, podemos fazer em cerca de 6 meses. E se já tiver uma licença ou precisar apenas de uma atualização, podemos lançar em questão de semanas.
Do lado tecnológico, designamos uma equipe dedicada, incluindo um gerente executivo de contas e especialistas em implementação. Começamos com o onboarding: discutimos o modelo de negócios, preenchemos questionários detalhados e iniciamos a configuração da plataforma. Nossa equipe cuida do treinamento, abre contas de pagamento através do B2BINPAY. O processo em si é bastante estruturado: discussões estratégicas, conformidade, documentação legal, configuração da plataforma, lançamento do site — tudo ocorre em paralelo. O único gargalo real é o licenciamento. Mas para players sérios, isso raramente é um bloqueio. A maioria já tem algo em vigor, e nós apenas ajudamos a escalar rapidamente.
Como o B2BROKER e o B2BINPAY se complementam em sua visão mais ampla de unificar finanças tradicionais com infraestrutura de ativos digitais?
Estamos vendo uma adoção institucional massiva de cripto globalmente, e isso só está crescendo. Basta observar os EUA — com as recentes mudanças na liderança da SEC, já ouvimos um tom mais favorável aos ativos digitais. O novo presidente declarou abertamente que combaterá o desbancamento de empresas de cripto e vê potencial real no setor. Somado a isso, a onda de ETFs spot e o claro progresso regulatório, fica óbvio que estamos entrando em uma fase muito mais madura para o mercado cripto.
É aqui que nossos dois produtos se unem perfeitamente. O B2BROKER fornece toda a infraestrutura de TI e negociação, e o B2BINPAY oferece às empresas uma forma rápida, segura e escalável de processar pagamentos em cripto. É uma combinação poderosa. Para corretoras, exchanges ou qualquer empresa fintech que tente construir serviços financeiros transfronteiriços, ter uma camada de pagamento cripto-nativa rápida é essencial. Os trilhos tradicionais são muito lentos e fragmentados, enquanto os pagamentos cripto trazem duas grandes vantagens: liquidação instantânea e plena propriedade dos fundos. Por isso sempre acreditamos na adoção de cripto — não como um termo da moda, mas como uma verdadeira atualização de infraestrutura. O B2BINPAY abre portas para novos canais de receita e segmentos de clientes, enquanto o B2BROKER garante que o back‑end seja sólido como uma rocha.
Então, sim, embora sejam negócios tecnicamente diferentes, eles estão estreitamente alinhados na visão.
Suas empresas operam globalmente em várias jurisdições com regulamentações complexas. Como vocês abordam a conformidade em escala — especialmente com cripto, pagamentos e liquidez transfronteiriça?
Essa é a parte mais difícil de escalar qualquer negócio financeiro hoje.
Nossa abordagem é bastante estruturada. Primeiro, somos extremamente seletivos com as jurisdições em que operamos. Focamos em ambientes limpos e bem regulados onde podemos construir parcerias de longo prazo e operar com total transparência. Também criamos uma forte equipe interna de conformidade que trabalha em estreita colaboração com consultores jurídicos locais em cada região. Isso nos permite adaptar rapidamente quando as regulamentações mudam — o que acontece o tempo todo.
Também investimos fortemente em licenciamento desde o primeiro dia. Seja licenças EMI, autorizações de cripto ou licenças de corretora, seguimos o caminho completo. Não é rápido, nem barato, mas é a única forma de escalar de maneira sustentável. Também dá confiança aos clientes — eles sabem que estão trabalhando com uma empresa que leva a conformidade a sério.
Qual papel você vê para KYC, KYT e monitoramento de transações ao possibilitar uma infraestrutura de liquidez escalável e de nível institucional?
A conformidade desempenha um papel absolutamente essencial em qualquer negócio financeiro. Ela protege sua empresa — do ponto de vista legal, sim, mas também da reputação. No B2B, reputação é tudo. Você não quer incorporar clientes problemáticos, e a conformidade é o que ajuda a evitar isso. Também garante que você cumpra os requisitos regulatórios e não acabe enfrentando multas ou restrições.
KYC e KYT são ambos cruciais. Cada cliente que você incorpora precisa passar por um processo completo de KYC — você precisa entender quem ele é, de onde vem o dinheiro e como é seu modelo de negócios. KYT é igualmente importante. Você deve rastrear para onde o dinheiro flui e garantir que não está assumindo riscos de AML.
Nós ajudamos nossos clientes também aqui. O B2BINPAY está integrado com Crystal e Chainalysis. Também temos ferramentas de conformidade de nível empresarial totalmente conectadas à nossa própria plataforma B2CORE. Assim, os clientes têm acesso a uma infraestrutura robusta que cobre tanto necessidades de licenciamento quanto de reputação.
Sem uma conformidade forte, você não pode escalar. Especialmente neste setor, onde tudo está sob escrutínio.
Como alguém que está ativamente conectando finanças tradicionais e ativos digitais, onde você vê a inovação mais significativa acontecendo nos próximos 2–3 anos?
Estamos entrando em uma fase realmente empolgante de convergência entre finanças tradicionais e o mundo nativo cripto. Nos próximos anos, veremos alguns grandes fluxos de inovação decolarem.
Primeiro, super apps — plataformas no estilo Revolut — vão se tornar mais comuns. Os usuários querem tudo em um só lugar: pagamentos, negociação, investimento, até seguros. É conveniente, gera fidelidade e abre múltiplos canais de receita para empresas.
Depois, há tokenização e RWA. A infraestrutura dos mercados de capitais tradicionais é cara e fragmentada — compensação, custódia, liquidações transfronteiriças, tudo é lento e custoso. A tokenização pode simplificar e acelerar tudo isso. Ela torna a emissão de ativos mais rápida e os mercados secundários mais acessíveis.
E, claro, IA. Já a vemos transformar conformidade, negociação e engajamento do cliente. O ritmo de adoção é rápido, e as capacidades evolvem diariamente. Gerir seu negócio sem usar IA é como tentar construir um banco com máquinas de fax.
Olhando para o futuro, qual é sua visão de longo prazo para a B2 Ventures — e que tipo de legado você pretende deixar no espaço fintech institucional?
Nossa visão de longo prazo é expandir o ecossistema B2 para uma plataforma global que capacite a próxima geração de inovadores financeiros. Queremos facilitar a entrada de players institucionais no espaço de ativos digitais e reduzir as barreiras para que empreendedores talentosos construam seus próprios negócios financeiros. Estamos reforçando a adoção de cripto porque acreditamos que é para onde as finanças estão caminhando. Estamos construindo produtos e serviços que tornam essa transição mais fácil, segura e escalável para todos — de instituições estabelecidas a startups emergentes.
Se pudermos deixar um legado, eu gostaria que fosse este: que ajudamos a moldar o futuro do fintech institucional, tornando-o mais aberto, mais eficiente e mais inclusivo. Essa é a missão que construímos todos os dias.












