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SEC Questionada Sobre a Abordagem aos Ativos Digitais em Testemunho de 5 Membros

A audiência de fiscalização da SEC desta semana ocorreu conforme previsto em 24 de setembro, às 10h no horário padrão do leste dos EUA. Participaram representantes dos dois partidos e os cinco comissários da SEC. Essa discussão aberta não foi uma reunião oficial, pois o debate não representava os planos oficiais futuros da SEC. Seu objetivo era dar aos representantes e ao público uma visão das ações e considerações recentes da comissão. Veja os principais pontos.
Ativos digitais ganham destaque em reunião de supervisão da SEC
A comissão abordou muitos assuntos, mas voltou repetidamente aos ativos digitais. Foi questionada sobre diferentes ativos, o mercado, sua estrutura, a proteção dos consumidores e sua influência futura. Veja como a SEC respondeu e o que isso pode significar para o mercado.
Terminologia dos ativos digitais
A terminologia dos ativos digitais foi um dos focos da comissão e dos representantes. O deputado McHenry perguntou por que eram usados termos diferentes e se isso era intencional. A comissão respondeu que a terminologia era propositalmente ambígua para abranger a ambiguidade jurídica deixada pelos legisladores. Acrescentou que, independentemente do termo usado, o teste de Howey determinaria se um token estaria sujeito à regulamentação de valores mobiliários.

Fonte – YouTube
Peirce respondeu que a comissão havia mudado sua posição anterior, segundo a qual os tokens eram valores mobiliários por si só, independentemente de estarem associados a contratos de investimento. Antes, a SEC havia feito declarações afirmando que todos os tokens eram valores mobiliários. Peirce explicou, porém, que atualmente a SEC não considerava os próprios tokens valores mobiliários, a menos que integrassem um esquema de investimento mais amplo que não atendesse ao teste de Howey.
O termo “valor mobiliário criptoativo” foi discutido especificamente. Criado pela SEC, ele confunde muitas pessoas por não ter um significado previamente estabelecido, levando alguns representantes a acusar a comissão de usar a linguagem para gerar confusão de propósito.
A comissão também afirmou dedicar uma quantidade desproporcional de tempo aos ativos digitais devido à ambiguidade e à terminologia. Por fim, destacou que seguiria as diretrizes dos legisladores, mas não chegou a pedir uma definição legal.
Criptomoedas
Foram apresentados muitos argumentos dos dois lados sobre as criptomoedas. Em um momento, um representante destacou a importância de não limitar a tecnologia com burocracia. Também se discutiu como exigências adicionais prejudicam a inovação e aumentam os custos para novos investidores enquanto a tecnologia ainda tenta consolidar uma base local.
O deputado Sherman discutiu como a SEC deve proteger os investidores. Ele afirmou que o capitalismo se baseia na premissa de que quem possui o capital toma as decisões. A comissão também discutiu o fato de os ativos digitais estarem em pauta há mais de uma década.
Também houve discussões sobre uma futura estrutura jurídica para as criptomoedas e o papel da SEC na economia digital. Nesse contexto, foram abordados vários projetos que receberam aprovação, antes de a comissão explicar que também se sentia confusa quanto ao seu papel no mercado.
Os representantes falaram sobre como a abordagem da SEC pode ser vista como um excesso de autoridade. Perguntaram aos comissários por que a SEC tentaria regular o mercado secundário quando países concorrentes, mais avançados que os mercados dos EUA, não exigem isso. Muitos afirmaram que essa medida faria os EUA ficarem para trás na implantação dessa tecnologia financeira transformadora.
Em um debate acalorado, o deputado Emmer discutiu a postura anterior da SEC contra as criptomoedas. Citou o caso Debt Box, em que a comissão perdeu e teve de pagar US$ 2 milhões por declarações falsas. Acrescentou que, apesar desse comportamento negativo, ninguém havia perdido o emprego ou se aposentado por causa dele.
A SEC e as stablecoins
As stablecoins também figuraram entre os temas importantes. A deputada Waters perguntou especificamente a opinião da comissão e se seria possível aprovar legislação até o fim do ano. Disse trabalhar desde 2022 para criar uma estrutura jurídica para essa classe de ativos. As proteções incluiriam lastro regulado e garantido para as reservas, conformidade com as regras de identificação dos clientes (KYC), registro adicional dos fornecedores e muitas outras exigências.
A SEC e a tokenização
A tokenização também entrou em pauta. Uma representante destacou grandes empresas que usam a tecnologia para aumentar a eficiência e perguntou se as economias eram repassadas aos investidores. A comissão respondeu que o registro em que um investimento é mantido não lhe acrescenta valor, e que cada pessoa deve avaliar seus méritos, pois “colocar algo em um registro não muda seus fundamentos econômicos”.
A SEC e a estrutura do mercado
O deputado Lynch levantou uma questão interessante sobre a combinação de funções no setor cripto. Explicou que, nas finanças tradicionais, seria ilegal a NYSE também atuar como corretora ou emitir ações. No mercado cripto, porém, isso é comum. Afirmou que essa sobreposição abre espaço para fraudes e sugeriu legislação para prevenir o risco.
Fraude é fraude
A comissão também foi questionada sobre a influência de celebridades e redes sociais no mercado. Explicou-se que, no mercado tradicional de valores mobiliários, as celebridades precisam revelar quando e por quem são pagas, mas não ao lidar com projetos cripto. Os representantes citaram celebridades que promoviam projetos sem divulgação dos pagamentos. Muitos desses projetos causaram perdas aos investidores em esquemas de manipulação de preços seguidos de venda.
Em resposta, afirmou-se que “fraude é fraude”, independentemente da plataforma, e que proteger os consumidores é função da comissão. Gensler concordou que seria possível ampliar as proteções e que faria sentido adotar exigências semelhantes às obrigações e divulgações atuais do mercado de valores mobiliários.
Mantendo os EUA competitivos no mercado de criptomoedas
Em outro momento, discutiu-se o papel dos EUA no mercado. Os representantes disseram que, pela primeira vez na história recente, o país não liderava a tecnologia. Houve preocupação de que isso também pudesse comprometer a segurança. A comissão foi questionada sobre o uso de empresas de investimento chinesas e o armazenamento de seus dados. Respondeu que empresas de qualquer país podem participar, desde que cumpram as diretrizes.
O episódio Robinhood/GameStop: a resposta da SEC
A deputada Waters também abordou o episódio envolvendo Robinhood e GameStop. Ele ocorreu quando um grupo de operadores online superou fundos de hedge que faziam vendas a descoberto sem cobertura. O texto descreve isso como tomar dinheiro emprestado para vender ações a descoberto. Para operadores experientes, a prática amplia a exposição e as oportunidades de retorno, mas também o risco. Nesse caso, os operadores perceberam que os fundos estavam excessivamente expostos e precisavam cumprir suas obrigações de venda a descoberto, então começaram a comprar as ações.
No início, os investidores ganharam muito dinheiro, até que aplicativos como Robinhood restringiram suas operações. Pesquisas posteriores indicaram que a restrição buscava proteger fundos de hedge parceiros da plataforma. Ao explicar as medidas tomadas desde então, a comissão disse ter introduzido várias normas para evitar situações semelhantes. As novas regras tratam da relação com as câmaras de compensação e do ciclo de liquidação, reduzido em um dia. Assim, ações vendidas na segunda-feira são liquidadas na terça-feira, 24 horas antes do método anterior.
Influência das criptomoedas no futuro da SEC
Discutiu-se a crescente influência das criptomoedas entre legisladores e reguladores. Um representante perguntou sobre regras para funcionários da SEC que passam a trabalhar em empresas cripto após deixar o cargo. Em um exemplo exagerado, mencionou uma empresa oferecendo a um ex-presidente US$ 50 milhões por ano para influenciar decisões futuras. Propôs limites de remuneração e outras medidas de transparência para evitar o problema.
Respostas inadequadas da SEC às empresas cripto
Outro debate interessante surgiu quando os comissários foram questionados sobre atrasos e falta frequente de respostas às empresas cripto. A Coinbase, maior corretora da América do Norte, foi citada como exemplo. Ela tentou se registrar na SEC mais de 30 vezes e apresentou vários pedidos de esclarecimento, todos ignorados.
IA nos mercados financeiros
A inteligência artificial foi outro tema. Discutiu-se como esses algoritmos poderiam se tornar os principais tomadores de decisões nos mercados. Gensler respondeu que três grandes fornecedores de nuvem dominam o mercado e também têm forte presença em IA. Acrescentou que 75% dos bancos usam dois desses três fornecedores. Assim, dependerão fortemente de assistência de IA, aumentando o risco de um colapso financeiro relacionado à tecnologia.
Questões climáticas relacionadas à SEC
Foram discutidos tributos e créditos climáticos. Os representantes pediram divulgações climáticas padronizadas para garantir uniformidade e justiça no mercado. Também solicitaram que a comissão não deixasse ativistas ambientais levá-la a perseguir empresas que cumprem as diretrizes.
Realizações da SEC
O grupo falou do grande volume de reclamações recebido anualmente. Destacou a profundidade da liquidez dos EUA e seu desempenho continuamente superior ao dos mercados globais. Compartilhou ainda estatísticas, como o fato de 58% dos cidadãos americanos possuírem ações direta ou indiretamente.
Discutiu-se ainda por que alguns dos melhores investimentos estão disponíveis apenas para investidores credenciados, descritos como investidores ou operadores capazes de comprovar pelo menos US$ 1 milhão em ativos líquidos. Infelizmente, a pessoa comum está longe de atingir esse patamar e, por isso, fica excluída das oportunidades mais lucrativas.
Um comissário respondeu concordando que a restrição não era correta. Explicou que sua carteira atual era muito diferente daquela que uma pessoa comum conseguiria ter, graças ao seu status de investidor credenciado. Segundo a comissão, a SEC trabalhará para ampliar o acesso às oportunidades de investimento.
A SEC deve regular as criptomoedas?
O principal ponto da reunião é que a SEC gostaria de regular as criptomoedas, mas muitos preferem que não o faça. Sua posição no setor permanece propositalmente vaga, permitindo inovação sem abrir mão de aplicar as leis quando necessário. Essa abordagem favoreceu a inovação, mas fica atrás de uma legislação favorável às criptomoedas, necessária para liderar o setor mundialmente.
O que esperar da SEC daqui em diante
Houve um avanço claro na compreensão dos ativos digitais pela SEC, embora ela ainda não tenha entendido plenamente o propósito da tecnologia. Várias declarações dos representantes demonstraram desconhecimento de suas capacidades. Portanto, ainda há muito a aprender dos dois lados.
Por enquanto, o mercado de criptomoedas está em plena atividade e o interesse dos investidores atingiu um recorde. Por isso, é mais importante do que nunca estabelecer uma estrutura jurídica que incentive startups e a adoção. A SEC e os legisladores precisam definir seu papel e sua abordagem para dar confiança aos investidores e garantir que as startups tenham acesso às ferramentas e ao capital necessários para prosperar.
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