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Ação coletiva contra a Solana Labs e outros processos sobre criptoativos em julho de 2022

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Em meio à fraqueza do mercado de criptoativos em julho de 2022, investidores e empresas tentavam responsabilizar uns aos outros por condutas passadas por meio de ações civis. Diversos processos envolvendo ativos digitais haviam sido apresentados nos meses anteriores. A seguir estão alguns exemplos, com destaque para as alegações contra partes ligadas à Solana. Na classificação histórica citada pelo artigo, SOL era o nono maior ativo por capitalização de mercado; não se trata de uma posição atual.

Mark Young contra partes ligadas à Solana

A recente petição inicial envolvendo a Solana foi apresentada pelo investidor Mark Young, que pretendia representar a si próprio e outros investidores “em situação semelhante”. Isso não significava que o tribunal já tivesse autorizado a representação coletiva. Os réus indicados eram:

  • Solana Labs
  • Solana Foundation
  • Anatoly Yakovenko, fundador da Solana Labs
  • Multicoin Capital Management
  • Kyle Samani, sócio gestor da Multicoin Capital
  • FalconX

Ao contrário do processo da SEC contra a Ripple, essa era uma ação civil de um investidor, e não uma medida de fiscalização de um regulador. Uma semelhança era a alegação de que ativos apresentados como tokens de utilidade seriam, na verdade, valores mobiliários não registrados. A petição sobre a Solana discutia, entre outros fatos, a venda pública de tokens de março de 2020. Essas eram teses do autor, não uma decisão judicial sobre a natureza jurídica de SOL.

Além de alegar que SOL seria um valor mobiliário não registrado, a petição afirmava: “Durante o período abrangido pela ação, os réus fizeram declarações deliberadamente enganosas sobre a oferta total em circulação de valores mobiliários SOL.” A alegação tratava da promessa de retirar 11.365.067 SOL do mercado. A petição dizia que apenas cerca de 3,3 milhões haviam sido recuperados do formador de mercado; isso não equivale à constatação de que somente 3,3 milhões foram queimados. A Solana Foundation havia informado em maio de 2020 que somara os 3.365.067 tokens recuperados a 8 milhões de tokens próprios, retirando 11.365.067 tokens de uma combinação das ofertas circulante e não circulante. A atualização de 25 de maio informou a conclusão da queima. O relato da fundação deve ser distinguido das alegações da petição.

A ação incluía Multicoin e outras partes por condutas que o autor caracterizava como manipulação de mercado. Segundo a petição, campanhas promocionais teriam elevado o preço antes da venda de “milhões de dólares em valores mobiliários SOL a investidores de varejo, como o autor”. A petição afirmava que mesas de negociação de balcão, como a da ré FalconX, haviam sido utilizadas nessas vendas. Eram alegações, não infrações comprovadas.

A notícia veio após um ano difícil para a Solana, com forte queda de preço durante a retração geral do mercado e problemas de estabilidade e congestionamento da rede. Isso, por si só, não determina quanto da variação de preço decorreu de cada fator.

Um processo desse tipo poderia trazer incerteza jurídica para a Solana, independentemente do resultado. O autor comparava a situação com a incerteza envolvendo Ripple e XRP. Ripple é a empresa, enquanto XRP é o ativo digital que anteriormente figurara entre os três maiores por capitalização. O autor avaliava que a controvérsia poderia abrir espaço a concorrentes e dificultar o desenvolvimento futuro. Essa era uma análise de 2022, não uma explicação comprovada para quedas de preço nem uma previsão certa para a Solana.

Mais processos judiciais

O processo ligado à Solana era um entre vários apresentados naquele período com alegações envolvendo ativos digitais. Outros dois exemplos eram os seguintes.

KeyFi contra Celsius

A ação da KeyFi se baseava, entre outros pontos, em um acordo informal descrito na petição como “um acordo verbal pelo qual o autor administraria bilhões de dólares em depósitos de criptoativos de clientes em troca de uma parcela dos lucros gerados por esses depósitos”. A empresa apresentou contra a Celsius uma ação civil própria. A petição envolvia uma disputa sobre participação nos lucros e alegações de declarações enganosas e de operação de um esquema Ponzi. Essas alegações não eram conclusões judiciais. O artigo não indicava o total pedido pela KeyFi, mas citava o memorando de entendimento assinado pelas partes e a remuneração nele descrita: “A KeyFi receberia 7,5% do lucro líquido de todas as atividades de staking e 20% do lucro líquido das atividades DeFi, que exigem tanto maior conhecimento técnico quanto maior dedicação de tempo.”

Keith Johnson contra Elon Musk

Keith Johnson apresentou uma petição com a qual pretendia representar coletivamente investidores contra Elon Musk, SpaceX e Tesla (TSLA ). Ele alegava que os réus “participam de um esquema de pirâmide cripto, também chamado de esquema Ponzi, por meio da criptomoeda Dogecoin”. O autor pedia 258 bilhões de dólares; esse não era um valor de indenização concedido. A petição alegava que os réus promoviam Dogecoin de forma ilegal e descrevia a moeda assim: “Não tem lastro em ouro, outro metal precioso ou coisa alguma. Você não pode comê-la, cultivá-la nem vesti-la.” A petição também afirmava: “Dogecoin não gera fluxo de caixa. Não paga juros nem dividendos. Não tem utilidade exclusiva em comparação com outras criptomoedas. Não faz parte de uma nova internet ou do metaverso. Não se baseia em nada de valor nem está vinculada a isso. Não tem garantia de um governo ou entidade privada. O número de moedas é ilimitado. É simplesmente uma fraude pela qual ‘tolos maiores’ são enganados para comprar a moeda por um preço mais alto.” Essas eram as qualificações e alegações do autor, não características comprovadas nem conclusões do tribunal. A ausência de um limite máximo fixo também não significa que exista uma quantidade infinita de DOGE em determinado momento.

Possíveis processos futuros

Em julho de 2022, o autor esperava que outros processos semelhantes pudessem surgir e citava Terraform Labs e Three Arrows Capital como partes a acompanhar. As dificuldades do mercado coincidiram com eventos como a falência da Voyager e acordos anunciados de apoio e financiamento à BlockFi. O autor relacionava esses acontecimentos a condutas controversas de participantes do mercado, mas isso não comprovava a responsabilidade jurídica de uma mesma parte por todos eles. Tratava-se de uma expectativa daquele momento, não de confirmação de processos posteriores ou de seus resultados.

Joshua Stoner é um profissional trabalhador multifacetado. Ele tem um grande interesse na tecnologia revolucionária 'blockchain'.