Ativos digitais
Empresas das finanças tradicionais estariam desenvolvendo plataformas de negociação de ativos digitais

Muitos executivos de Wall Street têm mostrado relutância em explorar ativos digitais. Ainda assim, empresas das finanças tradicionais, como a Fidelity, avançaram no setor apesar dos riscos e das incertezas sobre seu futuro. Algumas buscaram exposição às principais criptomoedas. Em mais um sinal de que as finanças tradicionais estão aderindo ao setor de ativos digitais, empresas apoiadas por grandes instituições de Wall Street estariam desenvolvendo infraestrutura de negociação.
Uma reportagem de 31 de maio de 2023 do Financial Times relatou que essas empresas apostavam na reputação de suas marcas para conquistar a confiança de investidores institucionais, como gestores de fundos. Segundo a reportagem, instituições poderiam preferir marcas conhecidas das finanças tradicionais a operadores de exchanges centralizadas com histórico problemático.
Wall Street aposta na reputação e na experiência das finanças tradicionais
O relatório citou a Nomura, a corretora Charles Schwab (SCHW ) e o banco britânico Standard Chartered (STD.DE ) entre as empresas envolvidas no desenvolvimento de plataformas de negociação e custódia de ativos digitais, como Bitcoin e Ether. A Charles Schwab apoiava a EDX Markets, projeto anunciado em setembro de 2022 e ainda em desenvolvimento na data desta reportagem. O Standard Chartered, por sua vez, apoiava a Zodia Markets. Em abril de 2023, a Zodia Custody, empresa de custódia de ativos digitais apoiada pelo banco, captou US$ 36 milhões em uma rodada de série A. Segundo o relato, a maior parte do investimento veio da SC Ventures, braço de investimentos do Standard Chartered, e do grupo japonês SBI Holdings, com participação de outros investidores não identificados. Os recursos se destinavam à expansão geográfica, à ampliação dos tokens atendidos e à melhoria dos serviços de liquidação fora das exchanges.
Embora reconhecessem que os colapsos recentes de exchanges e credores do setor haviam aumentado a aversão aos criptoativos, essas empresas continuavam confiantes nas oportunidades. Em sua avaliação, os episódios haviam evidenciado os riscos de negócios não regulamentados e a necessidade de controles para proteger os fundos dos usuários, demanda que pretendiam atender. Algumas instituições de Wall Street já haviam avançado na custódia de ativos digitais.
Em outubro de 2022, o BNY Mellon, então descrito como o maior banco custodiante do mundo, lançou serviços de custódia de Bitcoin e Ether para determinados clientes institucionais nos Estados Unidos. Em janeiro de 2023, segundo as notícias da época, revelou planos para oferecer custódia de ativos digitais na Ásia. Separadamente, em março, a Nasdaq anunciou a intenção de lançar seu serviço de custódia de criptomoedas no segundo trimestre, sujeito às aprovações necessárias, após apresentar sua iniciativa de ativos digitais em setembro de 2022.
Principais criptomoedas se valorizam apesar da turbulência no setor
Segundo fontes familiarizadas com os projetos citadas na reportagem, as novas plataformas adotariam uma estrutura semelhante à das finanças tradicionais, distinta da utilizada por algumas exchanges de criptomoedas. Isso incluiria a separação entre negociação e custódia para reduzir riscos. Os vínculos estreitos entre a exchange FTX e a Alameda Research, integrantes do grupo de Sam Bankman-Fried, serviam de exemplo dos problemas dessa interconexão. O relato também indicava que, naquele projeto inicial, a EDX havia optado por não integrar computação em nuvem à sua infraestrutura.

Desempenho de Bitcoin e Ether desde o início de 2023. Fonte: TradingView
As plataformas planejadas poderiam concorrer com empresas já estabelecidas, como Binance e Coinbase, que também atendiam clientes institucionais. Conquistar esse mercado seria difícil, pois as exchanges existentes forneciam liquidez às mesas de negociação. A valorização das principais criptomoedas também alimentava o interesse pelo setor: na data do artigo, Bitcoin e Ether acumulavam altas de aproximadamente 62% e 56%, respectivamente, desde o início de 2023. Esses ganhos superavam os dos índices S&P 500 e Nasdaq Composite no mesmo período.
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