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O metaverso revolucionará os bancos. Mas como enfrentar os riscos de fraude?

Os bancos e os serviços financeiros passaram por uma transformação digital. Segundo este artigo de opinião de junho de 2022, o metaverso pode trazer novos desafios de regulação e conformidade, entre eles a fraude de identidade.
Por Glenn Fratangelo, então chefe global de marketing para gestão de fraudes e autenticação na NICE Actimize.
A transformação digital abriu caminho para uma possível nova mudança tecnológica no setor bancário: o metaverso. Nele, os usuários são representados por avatares tridimensionais e interagem entre si, com produtos e com os ambientes de mundos virtuais, por exemplo com realidade aumentada (AR) ou realidade virtual (VR). A ideia parece ficção científica ganhando vida. Embora alguns não vejam aplicações para bancos e outros serviços financeiros, a migração para o digital durante a pandemia criou novas oportunidades. A troca de dinheiro e serviços nesse ecossistema virtual pode trazer benefícios e desafios, inclusive para além do setor financeiro.
Bancos e pagamentos no metaverso
Desde o início da pandemia, priorizar os serviços digitais tornou-se importante para as instituições financeiras. Elas enfrentam pressão para oferecer serviços e interações digitais altamente personalizados aos consumidores. O surgimento do metaverso pode aproximar a perspectiva de um ambiente de pagamentos inteiramente digital. Na visão do autor, as finanças descentralizadas teriam um papel importante nessa infraestrutura, com blockchain e criptomoedas como meios de apoiar transações e pagamentos no metaverso.
As instituições financeiras podem se estabelecer no metaverso e conectar seus sistemas existentes à economia virtual. Entre as possibilidades estão agências virtuais, participação em ambientes de pagamentos e empréstimos virtuais, serviços fintech associados a experiências virtuais, melhoria das remessas internacionais e financiamento para desenvolvedores do metaverso.
Em 2022, o autor via o metaverso como o próximo passo lógico para o setor financeiro, dando continuidade à digitalização durante a pandemia. Ele citava uma pesquisa da Deloitte de 2021 sobre serviços bancários online na qual, segundo seu relato, apenas 23% dos entrevistados planejavam voltar a usar agências após a pandemia. Para ele, isso sinalizava a procura por opções digitais no cotidiano. Ao mesmo tempo, o metaverso traz questões de conformidade e fraude que exigirão atenção dos reguladores.
O desafio da identidade no metaverso
Outra questão para as instituições financeiras é a identidade. Se o uso do metaverso e de seus serviços se ampliar, serão necessárias identidades digitais que permitam comprovar a identidade do usuário, proteger sua privacidade e gerenciar o acesso aos seus ativos virtuais.
No mundo físico, o rosto pode ajudar na verificação de identidade, mas um avatar pode assumir qualquer forma ou aparência. Consumidores e organizações precisam confiar nas provas de identidade e na proteção e no controle dos dados sensíveis, sobretudo quando ecossistemas antes fechados, como certas plataformas de jogos, passam a se conectar.
Fraudes, phishing e lavagem de dinheiro já são grandes desafios em um mundo que prioriza os serviços digitais e podem também se tornar problemas importantes no metaverso. As tecnologias de AR e VR podem coletar muitos dados pessoais. O uso de várias identidades, como avatares diferentes para situações distintas, também torna a verificação de identidade mais complexa.
Uma possível abordagem é a identidade digital autossoberana, ou Self-Sovereign Identity (SSI). Nela, o usuário tem maior controle sobre os dados de identidade e o compartilhamento de comprovantes digitais. A blockchain pode integrar a solução, e a biometria pode ser usada na verificação. Assim, parte do controle pode passar da plataforma para o usuário. Credenciais verificáveis e técnicas adequadas de divulgação seletiva permitem conferir determinados atributos sem compartilhar todos os dados pessoais subjacentes.
Avançando com o metaverso
O ambiente de pagamentos continua mudando. As instituições financeiras precisam se preparar e podem desempenhar um papel ativo em uma comunidade do metaverso. Assim como as organizações precisaram se preparar para novas tecnologias, como a IA, e reagir rapidamente à pandemia, o autor defendia que também ajustassem suas estratégias à aceleração do metaverso que previa para a década seguinte.












