Ativos digitais
The Graph (GRT) desfruta de um rali massivo à medida que a rede cresce em ritmo acelerado e a narrativa de IA ganha força

No momento da publicação original, em fevereiro de 2023, o GRT, token da rede The Graph para indexação e consulta de dados de blockchains, registrava uma forte alta. Segundo os dados da CoinGecko citados então, sua capitalização havia voltado a superar US$ 1 bilhão.
Naquele momento, o ativo tinha capitalização aproximada de US$ 1,6 bilhão e era negociado acima de US$ 0,184, alta superior a 40% em 24 horas. Desde o início de 2023, acompanhava a recuperação mais ampla do mercado: cerca de 180% em 30 dias e mais de 215% no acumulado do ano até a data do artigo.
Segundo a comparação de mercado citada naquela data, o GRT era o 40º maior criptoativo por capitalização, liderava os ganhos em 24 horas e ocupava o terceiro lugar em uma semana. São posições históricas, não classificações atuais.
Mesmo após a alta, o preço ainda estava aproximadamente 94% abaixo do pico de cerca de US$ 3 registrado em fevereiro de 2021.
GRT é o token do ecossistema The Graph, originalmente um ERC-20. Indexadores, curadores e delegadores o utilizam de formas distintas para sustentar os serviços e os incentivos econômicos da rede. Consultar dados não exige que todo usuário opere um nó ou faça staking.
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A camada de infraestrutura da Web3
Apresentado publicamente em julho de 2018, The Graph foi cofundado por Brandon Ramirez, Yaniv Tal e Jannis Pohlmann. A rede principal descentralizada entrou em operação em 17 de dezembro de 2020. A equipe inicial, Graph Protocol, Inc., passou a se chamar Edge & Node, um dos grupos de desenvolvimento do ecossistema, não seu único administrador.
The Graph (GRT) é um protocolo projetado para facilitar o acesso e a indexação de dados de blockchain. Em termos de processo, o The Graph funciona de maneira semelhante ao modo como o Google indexa sites, pois indexa registros de redes blockchain como Ethereum e fornece uma camada de dados global para a web descentralizada, facilitando a localização e o uso de dados de blockchains.
O artigo original mencionava suporte a 26 redes ou fontes de dados, incluindo Ethereum, NEAR, Arbitrum, Optimism, Polygon, Avalanche, Celo, Fantom, Moonbeam e IPFS. Esse número descrevia o contexto então citado e não significava que todas já fossem atendidas pela rede descentralizada. IPFS é um sistema distribuído de arquivos, não uma blockchain.
O protocolo permite consultar dados indexados por meio de subgrafos, que funcionam como APIs abertas. Eles especificam quais dados devem ser indexados e como transformá-los em entidades consultáveis. Isso facilita organizar, compartilhar e usar dados em aplicações, mas requer configuração e processamento; não é uma transformação completa garantida com poucos cliques.
O The Graph basicamente busca fornecer a camada de infraestrutura para o Web3, servindo como camada de integração para DApps.
A rede envolve indexadores, que operam a infraestrutura de indexação e consultas; curadores, que sinalizam subgrafos considerados úteis; e delegadores, que delegam GRT a indexadores sem operar os próprios nós. As aplicações consultam os dados disponibilizados por essa infraestrutura.
As receitas dependem da função: os indexadores podem receber taxas e recompensas de indexação; os delegadores compartilham receitas conforme os parâmetros do indexador; os curadores podem receber parte das taxas dos subgrafos sinalizados. Não basta deter GRT para garantir renda. O token ajuda a alocar recursos e manter os incentivos e a segurança econômica.
Naquele período, o interesse pelo GRT levou participantes do mercado a prever novas altas. Essas previsões não eram resultados garantidos.
O que está por trás do salto?
A evolução da rede era um dos fatores discutidos pelos investidores, juntamente com a especulação. O crescimento do protocolo, por si só, não demonstra a causa de uma variação de preço.
Outro fator associado ao interesse de fevereiro de 2023 era a narrativa de inteligência artificial. O artigo a comparava à atenção ao metaverso após a mudança do nome da empresa controladora do Facebook para Meta, em 2021.
ChatGPT e o anúncio do Bard recebiam atenção mundial naquela época, enquanto vários tokens associados a IA ou dados se valorizavam.
A classificação de um token como ligado à IA não estabelece parceria com ChatGPT ou OpenAI. A atenção de investidores a esse tema podia contribuir para movimentos especulativos, mesmo em um mercado ainda afetado pela baixa anterior.
Na classificação histórica da CoinMarketCap citada pelo artigo, The Graph liderava por capitalização a categoria de projetos e tokens de IA e big data. Isso não o transforma em um modelo de IA nem descreve necessariamente o ranking atual.
O artigo também citou um estudo da Trading Browser sobre os 12 meses anteriores: média mensal global de 8.100 buscas relacionadas ao The Graph, com destaque para “Graph Crypto”. Esse era um indicador de interesse em buscas, não uma medida de adoção ou garantia de valorização.
O tema também era associado a SingularityNET, Fetch.ai e Ocean Protocol. No caso do GRT, o artigo discutia ainda os indicadores de crescimento da rede.
Crescimento contínuo
O artigo relacionava a valorização de fevereiro de 2023 ao crescimento do ecossistema em 2022, sobretudo no quarto trimestre. Essa relação era uma interpretação de mercado, não prova de causalidade.
Segundo o relatório da Messari sobre o quarto trimestre de 2022, havia 618 subgrafos ativos na rede principal em dezembro, 25% a mais que no trimestre anterior e 151% a mais que um ano antes. O número não significa necessariamente 618 novas migrações naquele trimestre.
Naquele período, o serviço hospedado e a rede descentralizada coexistiam. A mainnet foi lançada em dezembro de 2020, e as migrações de subgrafos começaram em 2021. Em novembro de 2022, o uso de Substreams para indexação paralela e suporte a Solana ganhou destaque; o desenvolvimento da tecnologia já havia começado antes.
O número de subgrafos na mainnet vinha aumentando nos seis trimestres anteriores. O artigo mencionava Oasis, Solana e Request como exemplos de projetos ou ecossistemas que utilizavam subgrafos ou Substreams em suas estratégias de dados; Solana não é simplesmente uma empresa de Web3.
O relatório citado indicava crescimento trimestral de indexadores ativos (+33%), delegadores (+9%) e curadores (+2%). Mais de 26 milhões de GRT, cerca de 0,4% da oferta circulante então estimada, estavam sinalizados para subgrafos. Livepeer, Premia e Snapshot eram os principais exemplos citados.
O relatório distinguia 424 indexadores que já haviam alocado ou estavam alocando stake de 292 ativos ao final do quarto trimestre de 2022. O mínimo então exigido para um indexador era 100.000 GRT, aproximadamente US$ 18.000 ao preço citado no artigo.
O artigo informou mais de 2,9 bilhões de GRT em staking, cerca de 39% da oferta circulante no quarto trimestre de 2022. O modelo Stake-for-Access relaciona o comprometimento de GRT aos serviços e incentivos da rede; indexadores, delegadores e curadores não têm exatamente o mesmo papel.
Nas taxas de consulta, o artigo citou crescimento de receita de 66% em relação ao trimestre anterior e superior a 6.200% em relação ao ano anterior, medido em GRT. Em dólares, os aumentos eram de 5% e 265%, respectivamente. São receitas de consultas, não todas as recompensas ou receitas do protocolo, e a diferença também reflete o preço do token.
O programa multirrede MIPs destinou 75 milhões de GRT, ou 0,75% da oferta total considerada, para incentivar novas redes: 50 milhões para recompensas de indexadores e 25 milhões para subsídios à migração de subgrafos. O anúncio oficial previa seis meses, de 20 de setembro de 2022 ao fim do primeiro trimestre de 2023. Portanto, não era um programa futuro aguardando o lançamento da mainnet em 2023.
Esses indicadores ajudam a compreender o interesse pelo projeto naquele período, mas não garantem nem justificam automaticamente qualquer preço do GRT.
Foco no desenvolvimento
No início de 2023, o objetivo destacado era migrar o serviço hospedado para a rede descentralizada e ampliar a cobertura multirrede. O artigo citava 26 redes ou fontes e aplicações de subgrafos em Uniswap, Synthetix, KnownOrigin, Gnosis, Balancer, DAOstack, Audius e Decentraland. Esse é o contexto histórico da análise.
Em janeiro de 2022, The Graph Foundation anunciou uma captação de US$ 50 milhões liderada pela Tiger Global, com Fenbushi Capital, Blockwall Digital, FinTech Collective e Reciprocal Ventures. A captação apoiava o desenvolvimento do ecossistema; não era receita de taxas de consulta.
O artigo informou um total acumulado de US$ 69,6 milhões, segundo a Crunchbase. Esse valor dependia do conjunto de rodadas catalogadas e não significa ausência de risco financeiro ou imunidade ao mercado em baixa.
A análise esperava crescimento das receitas conforme mais subgrafos fossem migrados. Isso poderia atrair participantes, mas a rentabilidade depende também de custos, demanda e condições de mercado.
Em síntese, a Messari considerava que mais subgrafos poderiam reduzir barreiras técnicas para desenvolvedores e favorecer a inovação na Web3. Tratava-se de uma perspectiva, não de resultado garantido.
Considerações finais
O crescimento da infraestrutura pode favorecer a demanda por consultas e o interesse pelo GRT. Não garante, porém, crescimento proporcional da demanda pelo token ou do seu preço.
A adoção futura do The Graph e o valor do GRT permanecem incertos. O desenvolvimento da rede é relevante, mas não assegura uma posição entre os projetos mais fortes do mercado.
A narrativa de IA e o otimismo eram parte do cenário de fevereiro de 2023. A alta então observada não garante continuidade nem descreve uma recomendação atual de investimento.








