Biotecnologia
Innoviva: O Novo Modelo de Empresas de Biotecnologia com Royalties

O Modelo Clássico de Startup de Biotecnologia
Biotech companies live and die by innovating and creating new treatments. The basic model follows the regular steps:
- Começar com uma ideia ou uma descoberta científica
- Desenvolver a ideia em um potencial medicamento ou tratamento para uma doença
- Levantar capital para provar a eficácia e segurança do tratamento in‑vitro e em animais
- Obter mais recursos para realizar um ensaio clínico de fase I, comprovando a segurança em humanos.
- Ou levantar mais dinheiro ou fazer parceria com uma grande empresa farmacêutica para gerenciar as fases II e III, muito caras, dos ensaios clínicos.
- Obter aprovação e vender o tratamento diretamente (raramente) ou através da rede de vendas de uma das 20 maiores empresas farmacêuticas.
Um caminho alternativo é licenciar o potencial medicamento cedo para uma grande farmacêutica, o que reduz o risco e cede todo o potencial de valorização ao parceiro maior.
Devido à onipresença desse modelo, os investidores têm opções limitadas. Ou investem em startups arriscadas e em estágio inicial e mitigam o risco com muita diversificação, já que a maioria dos ensaios clínicos produz produtos inviáveis. Isso também implica um grande risco de diluição, pois cada nova etapa requer muito mais capital que a anterior. Ou investem em grandes empresas farmacêuticas, que são muito mais seguras, porém também carecem de crescimento.
O Novo Modelo de Royalties para Empresas de Biotecnologia
Essa escolha limitada entre pequenas startups e alguns gigantes massivos com crescimento lento ou inexistente não é exclusiva da biotecnologia. O mesmo problema existe no setor de mineração. Encontrar ouro é tão incerto quanto descobrir um medicamento blockbuster. E os investidores do setor vivenciam frustração semelhante, tendo que escolher entre crescimento de alto risco e segurança sem crescimento.
É por isso que surgiu um novo modelo: a empresa de royalties. O modelo de royalties difere do antigo modelo tradicional em alguns pontos‑chave.
Ela fornece capital, mas não em troca de ações ou participação parcial nos medicamentos. Em vez disso, ganha dinheiro a partir de uma porcentagem das vendas futuras vinculadas ao fármaco.
Para a startup, evita a diluição dos acionistas, incluindo os fundadores, tornando‑se muito atraente. Também mantém integralmente na empresa todos os futuros medicamentos ainda não desenvolvidos: o royalty diz respeito apenas a um projeto, não à renda futura de toda a empresa.
Para os investidores na empresa de royalties, permite risco diversificado sem recorrer a fundos de capital de risco, geralmente aceitando apenas investidores credenciados com milhões para investir. Como isso representa um acordo melhor para os fundadores do que emitir ações ou acordos de licenciamento, a empresa de royalties também pode negociar termos mais favoráveis e lucrativos.
O segundo aspecto é que a empresa de royalties pode apresentar um perfil de crescimento explosivo. Ao compartilhar a fortuna ou o revés da startup em que investe, também compartilha seu perfil de crescimento. Enquanto ainda oferece diversificação ao firmar acordos de royalties com múltiplas startups.
Isso também significa que as empresas de royalties são organizações notavelmente enxutas, frequentemente com menos de 100 funcionários. Nesse sentido, são mais semelhantes a firmas de investimento ou fundos hedge do que a empresas de biotecnologia. A consequência é que, quando o dinheiro de royalties chega, elas podem reinvestir ou distribuir em dividendos 80‑90% do fluxo de receita.
Portanto, para os investidores, as empresas de royalties podem ser o melhor dos dois mundos. Um forte perfil de crescimento, mas com diversificação entre medicamentos, áreas médicas e tecnologia de uma grande empresa farmacêutica.
Esse modelo foi pioneiro na mineração pela Wheaton Precious Metal, que se especializa em mineradoras de ouro e cujas ações subiram 17 vezes desde seu IPO em 2005. Muitas outras empresas de royalties surgiram na indústria de mineração, e muitas tiveram bom desempenho.
Esse modelo está agora começando na biotecnologia, liderado em parte pela empresa Innoviva.
Innoviva: A Empresa de Royalties em Biotecnologia
A Innoviva trouxe para a biotecnologia o modelo de royalties, com vários produtos já comercializados. Ela começou como uma startup de biotecnologia “normal”, que assinou um fluxo de royalties para seu produto com a gigante farmacêutica GSK.
A partir de então, a Innoviva usaria seu dinheiro não para desenvolver novos medicamentos, mas para adquirir mais fluxos de royalties.
Por muito tempo, a Innoviva esteve envolvida em uma relação complexa com a GSK e com o departamento de P&D derivado da Innoviva, a Theravance. Agora está fora desse caminho e possui uma estrutura corporativa muito mais simples, já que a Innoviva recomprou da GSK os 32% da Innoviva que ela possuía (por US$ 392 milhões) e vendeu seus royalties do medicamento Trelegi por US$ 282 milhões.
Visão Geral da Innoviva
O royalty mais importante é o Relvar/Breo, que trouxe US$ 234 milhões em royalties para a Innoviva em 2021 e prevê um fluxo de royalties nos próximos 5 anos de US$ 1 bilhão.
Para dar alguma perspectiva, a capitalização de mercado atual da empresa é de US$ 863 milhões, negociando a um P/E de 3,71. Como a empresa possui aproximadamente o mesmo valor em ativos correntes (US$ 313 milhões) e em dívida de longo prazo (US$ 394 milhões), sua avaliação atual depende inteiramente de seu investimento nos fluxos de royalties atuais e futuros.
A empresa não distribui dividendos, pois preferiu recomprar ações no valor de US$ 100 milhões em novembro de 2022.

O Futuro da Innoviva
O medicamento para asma Relvar/Breo é o que está impulsionando as receitas atuais da Innoviva e justificando a capitalização de mercado atual.
Entretanto, o crescimento e o ganho de capital para os investidores precisarão vir dos royalties futuros de alguns dos investimentos da Innoviva. Portanto, investidores potenciais precisam entender esse portfólio.
Ele contém várias aquisições, geralmente após a assinatura de um fluxo inicial de royalties ou de um pequeno investimento, quando a Innoviva percebeu que mais valor seria criado ao adquirir ações nas empresas‑alvo.

Entasis / La Jolla
As duas empresas foram adquiridas pela Innoviva no verão de 2022 e agora foram fundidas.
La Jolla era proprietária de tratamentos para pacientes que sofrem de choque séptico ou infecções complexas.
Entasis está desenvolvendo novos antibióticos para infecções resistentes a antibióticos que ameaçam a vida e viu seu principal medicamento, SUL‑DUR, aceito para revisão pela FDA, com decisão esperada em 29 de maio de 2023.
A combinação das duas empresas permite o compartilhamento da rede de vendas hospitalares, já que ambas estão relacionadas a infecções complexas envolvendo resistência a antibióticos. Isso deve reduzir significativamente os custos de marketing para o lançamento do SUL‑DUR.
A Innoviva avalia o valor justo desse investimento em US$ 330 milhões.
Armata Pharmaceuticals (ARMP)
A Armata está trabalhando no tratamento de infecções resistentes a antibióticos com bacteriófagos. Bacteriófagos são vírus que atacam apenas bactérias, permitindo seu uso em pacientes de forma semelhante aos antibióticos químicos. A empresa foca em infecções respiratórias e infecções causadas por Staphylococcus aureus resistente a antibióticos, com um bacteriófago em ensaio clínico de fase I para ambos.
A Innoviva possui 60% da Armata, além de US$ 45 milhões adicionais e investimentos de US$ 30 milhões. Graças a esse investimento adicional, a Innoviva terá mais de 60% quando o produto da Armata alcançar a comercialização.
A Innoviva avalia o valor justo desse investimento em US$ 156 milhões.
Participações Pequenas Diversificadas
A Innoviva também investiu em startups de biotecnologia em estágio inicial que não são listadas publicamente. As pequenas participações, estimadas em conjunto em um valor total de US$ 43 milhões pela Innoviva, incluem:
- 13% na InCarda, um tratamento para doença cardíaca.
- 5% na ImaginAb, um sistema de imagem para reduzir a necessidade de biópsias.
- 1% na NanoLive, um sistema de imagens para descoberta de medicamentos.
- GateNeuro, está desenvolvendo medicamentos para tratar depressão, esquizofrenia e distúrbios do sono. (a porcentagem de participação não foi divulgada, mas a rodada de investimento foi com 2 outras empresas e totalizou US$ 25 milhões)
Fundo ISP (Innoviva Strategic Partners LLC)
A Innoviva investiu US$ 300 milhões no fundo criado em 2020, que é aconselhado pela Sarissa Capital Management LP, um fundo hedge ativista com sede em Greenwich, Connecticut. Ele está investindo em uma variedade diversificada de ações de saúde negociadas publicamente. Você pode ver mais aqui sobre o tipo de investimento que a Sarissa Capital tem feito a partir de suas participações (siga o link).
Até o momento, o fundo parece estar avaliado em US$ 290 milhões, portanto, mesmo que não tenha perdido dinheiro, também não proporcionou muitos retornos.
Conclusão
Royalties podem ser uma forma interessante de obter exposição à biotecnologia, diferente de investir diretamente em startups ou através de grandes empresas farmacêuticas. O critério mais importante será o histórico passado da sua gestão, já que a qualidade da avaliação dos investimentos futuros determinará o futuro da empresa um pouco mais, como escolher um gestor de fundos em vez de escolher uma empresa de biotecnologia.
A Innoviva adotou uma abordagem flexível, combinando royalties e aquisições parciais e completas como investimentos em empresas maiores negociadas publicamente. Sua avaliação atual parece refletir principalmente o valor da renda de royalties em curso, colocando a preço muito descontado as aquisições da Armata, Entasis e La Jolla, bem como o Fundo ISP e os outros investimentos menores.
Assim, a renda atual e a baixa avaliação fornecem alguma margem de segurança, e o potencial de valorização deve vir do portfólio existente e futuro de aquisições e royalties.
A gestão da Innoviva parece enxergar uma forte oportunidade no campo da gestão de infecções e na solução da resistência a antibióticos, seja por meio de novos medicamentos ou com bacteriófagos. Isso a torna uma empresa atraente para investidores interessados em obter exposição nesse setor. A recompra de ações também indica que a empresa considera suas próprias ações subvalorizadas e que a recompra é uma boa forma de criar valor para os acionistas.











