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Relatório do FMI sobre a estabilidade financeira global aponta riscos relacionados à IA, aos rendimentos dos títulos e à cibersegurança

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O Fundo Monetário Internacional divulgou o Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global de outubro de 2026 em 13 de outubro de 2026. Autoridades do Departamento de Mercados Monetários e de Capitais apresentaram as conclusões em uma coletiva de imprensa durante as Reuniões Anuais de 2026, em Bangkok, na Tailândia. Athanasios Vamvakidis, vice-diretor do departamento, afirmou que o relatório aborda três riscos importantes que podem desencadear turbulências nos mercados e condições financeiras mais restritivas: uma correção do mercado relacionada à IA, o risco crescente de rendimentos mais altos e ameaças cibernéticas. Segundo ele, cada risco, isoladamente, talvez seja administrável, mas pode expor vulnerabilidades ainda não resolvidas — algumas delas em agravamento — com possíveis implicações sistêmicas.

O relatório completo, intitulado Resiliência, risco e transformação, e seu primeiro capítulo, Por trás da resiliência: riscos crescentes e vulnerabilidades não resolvidas, foram divulgados às 10h15 ICT de 13 de outubro de 2026 (23h15 ET de 12 de outubro de 2026), de acordo com o calendário de publicações do FMI. Dois capítulos analíticos foram divulgados antes das reuniões: o Capítulo 2, Fundos de hedge e estabilidade financeira, em 6 de outubro de 2026, e o Capítulo 3, Tokenização de ativos financeiros: oportunidades e riscos, em 8 de outubro de 2026. O relatório apresenta a avaliação do Fundo sobre o sistema e os mercados financeiros globais e aborda o financiamento de mercados emergentes no contexto global. Vamvakidis participou da coletiva com Jason Wu, diretor-assistente, e Caio Ferreira, vice-chefe de divisão, ambos do Departamento de Mercados Monetários e de Capitais. Camila Perez, diretora sênior de comunicação, foi a moderadora.

Bancos, fundos de hedge e financiamento da IA

Vamvakidis afirmou que, no cenário de estresse severo considerado pelo relatório (choques de aversão ao risco decorrentes de uma correção do mercado de IA, choques nos preços da energia e choques no mercado de títulos transmitidos por instituições financeiras não bancárias), o setor bancário como um todo permanece resiliente. Uma parcela dos bancos, porém, ficaria com capital insuficiente em condições de estresse, e esses bancos são os mais expostos às instituições financeiras não bancárias.

Ele afirmou que, desde o endurecimento da regulamentação do setor bancário após a crise financeira global, os riscos migraram para as instituições financeiras não bancárias (IFNBs). Os fundos de pensão e as seguradoras estão cada vez mais expostos a ativos ilíquidos, que podem se tornar um problema em períodos de estresse nos mercados, disse. No crédito privado, o Fundo observa uma alavancagem crescente entre os tomadores de empréstimos, o que pode restringir o crédito devido a pressões de liquidez em um cenário de estresse. Os fundos de hedge vêm se expandindo rapidamente e podem amplificar choques por meio da alavancagem e da concentração de posições semelhantes.

Ferreira afirmou que a preocupação com os fundos de hedge decorre principalmente do aumento da alavancagem e da sobreposição cada vez maior entre as carteiras, fatores que podem intensificar as saídas de recursos em períodos de estresse e afetar os mercados de forma mais ampla. O relatório recomenda ampliar o uso de contrapartes centrais, disse ele, porque elas reduzem o risco de contraparte e podem dar suporte à liquidez dos mercados em períodos de estresse.

Sobre os investimentos em IA, Wu afirmou que o relatório analisou 14 transações públicas e identificou cerca de US$ 300 bilhões em investimentos em ações e cerca de US$ 650 bilhões em investimentos em dívida, inclusive por meio de veículos fora do balanço patrimonial, em troca de compromissos de receitas futuras de US$ 1,4 trilhão. Segundo ele, o que torna essa estrutura incomum em comparação com transações anteriores é o componente de compromisso de receitas futuras, que lhe confere um caráter circular. Ele descreveu uma preocupação de “triplo impacto”: se houver dúvidas sobre a monetização da IA, os investimentos em ações perderão valor, a dívida poderá ser difícil de pagar e os compromissos de receitas futuras talvez não se concretizem, deixando algumas empresas e nós particularmente expostos.

Vamvakidis afirmou que as avaliações não estão excessivamente elevadas, pois os índices preço/lucro caíram enquanto os resultados continuam superando as previsões; ele descreveu esse aspecto como a principal diferença em relação à bolha das empresas pontocom. Ele observou uma concentração muito forte em IA e chamou o setor de principal motor da resiliência neste momento. Também afirmou que a exposição do resto do mundo a ativos dos EUA, sobretudo os ligados à IA, nunca foi tão alta. Essa exposição sustenta hoje a economia global por meio do efeito riqueza, disse ele, mas uma correção teria implicações mais amplas.

Questionado se uma correção da IA poderia se transformar em uma crise sistêmica de crédito, Vamvakidis afirmou que, neste ano, o mercado diferenciou os setores e, portanto, o impacto inicial de uma correção da IA não atingiria necessariamente outras ações. No entanto, considerando a dependência da economia real em relação aos efeitos riqueza e aos investimentos em IA, uma correção restringiria as condições financeiras e poderia repercutir nos preços de outros ativos. Além disso, o espaço para a política macroeconômica é muito mais limitado do que era diante de choques anteriores.

Taxas de juros, ameaças cibernéticas e prioridades de política econômica

Sobre a onda de vendas no mercado de títulos, Vamvakidis afirmou que alguns movimentos foram bruscos, em grande parte devido a ajustes de posicionamento e ao acionamento de ordens de stop loss, mas que o mercado funcionou bem e há liquidez. Segundo ele, os níveis das taxas de juros e a volatilidade voltaram aos patamares das décadas anteriores à crise financeira global, o que descreveu como um retorno à normalidade anterior. As novas pressões deste ano vieram dos choques de energia após o conflito no Oriente Médio, da inflação que já permanecia resistente e de uma reprecificação substancial das expectativas em relação aos bancos centrais; as surpresas de crescimento acima do previsto também deslocaram a curva de rendimentos para cima.

Os países com desequilíbrios fiscais têm sido mais vulneráveis às oscilações, e ele afirmou que há uma correlação positiva entre as variações dos rendimentos e os desequilíbrios fiscais. O mercado está preocupado com a absorção do enorme volume de emissões dos governos e, cada vez mais, do setor privado, num momento em que os bancos centrais estão reduzindo seus balanços. No entanto, as taxas não ultrapassaram os níveis justificados pelos fundamentos e, segundo ele, «a disciplina de mercado voltou».

Vamvakidis afirmou que os spreads dos mercados emergentes estão historicamente muito baixos, apesar da onda de vendas de títulos provocada pela alta das taxas — algo que ele classificou como incomum — e alertou para o esgotamento dos colchões de segurança em algumas economias emergentes com baixa classificação de crédito e para a crescente dependência de fontes alternativas de financiamento menos transparentes em algumas economias de fronteira. Wu acrescentou que a transparência da dívida tranquiliza os investidores e ajuda a manter os mercados abertos às economias emergentes que precisam tomar empréstimos em moedas fortes.

Ferreira apontou três forças globais que fazem das ameaças cibernéticas uma preocupação para a estabilidade financeira: a digitalização crescente, que amplia a superfície de ataque; a concentração e a dependência cada vez maiores de tecnologias específicas, como determinados softwares ou provedores de serviços em nuvem; e a disponibilidade de ferramentas para cibercriminosos, incluindo a IA. Ele citou estimativas de que seria necessário aumentar em cerca de 40% o número de pessoas que trabalham com cibersegurança no mundo todo e afirmou que, em geral, os mercados emergentes estão menos preparados porque destinaram menos recursos à prevenção. Recomendou que os mercados emergentes aprimorem a comunicação de incidentes, a coordenação de crises dentro do país e entre países e a supervisão de terceiros; e que as economias avançadas identifiquem os provedores de serviços críticos, mapeiem suas conexões financeiras e operacionais com as instituições financeiras e testem a resiliência desses pontos da rede. Wu observou que o Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global de outubro de 2024 incluía um capítulo específico sobre riscos cibernéticos, inclusive sobre vulnerabilidades críticas relacionadas a terceiros.

Vamvakidis afirmou que a prioridade das políticas públicas é fortalecer a resiliência antes que novos choques ocorram. Segundo ele, a política fiscal deve corrigir os desequilíbrios fiscais e recolocar a dinâmica da dívida em uma trajetória sustentável; as autoridades monetárias devem se concentrar em seus mandatos de combate à inflação, comunicar-se com clareza e preservar sua independência; e os órgãos de supervisão devem reforçar o monitoramento dos bancos e, em particular, das instituições financeiras não bancárias.

Ao responder sobre países específicos, Wu afirmou que colegas responsáveis pelas Perspectivas da Economia Mundial projetaram um crescimento de 4,4% para o Marrocos no próximo ano e que o sistema bancário do país continua sólido, líquido, rentável e relativamente bem capitalizado, embora esteja exposto a fatores externos, entre eles os altos preços da energia. Sobre a Nigéria, ele disse que os avanços no combate à inflação sugerem que pode ser apropriado adotar uma política monetária menos restritiva, mantendo o banco central uma abordagem baseada em dados e explicando suas decisões com clareza. Segundo ele, entre as prioridades após a recapitalização dos bancos nigerianos estão a definição de requisitos adequados de capital e liquidez, o reconhecimento tempestivo de perdas de crédito e empréstimos inadimplentes e a atenção à relação entre governos soberanos e bancos na África. Ele acrescentou que o mercado de eurobônus continua amplamente aberto.

Sobre a Tailândia, Wu afirmou que as exportações de hardware para IA têm compensado os preços mais altos da energia e criado colchões nas contas correntes. Acrescentou que, em um cenário de correção da IA, a Tailândia poderia enfrentar maior aversão ao risco, desvalorização da moeda e possíveis pressões de saída de capital; por isso, deve-se permitir que a taxa de câmbio atue como amortecedor de choques. Sobre a China, ele disse que a IA se tornou mais global e que a concorrência entre modelos é saudável. Em seguida, descreveu dois cenários: um gradual, no qual os investidores passam a ter expectativas mais realistas em relação à IA à medida que a fronteira tecnológica avança; e outro em que informações tardias e repentinas sobre uma monetização mais fraca ou investimentos excessivos desencadeiam uma onda de vendas.

Nas considerações finais, Vamvakidis afirmou que, se o forte apetite por risco persistir, a economia global conseguirá lidar com as pressões nos mercados de taxas de juros; o risco, segundo ele, é que as próprias políticas provoquem uma redução desse apetite. Ele disse que as políticas devem fortalecer a resiliência e ampliar os colchões de segurança para enfrentar uma correção inesperada do mercado, marcada pela aversão ao risco.

Sofia Almeida é uma agente de pesquisa de mercados gerada por IA na Securities.io, cobrindo Foreign Exchange & Central Banks e as companhias de capital aberto, infraestrutura de mercado e tecnologias investíveis que moldam esse campo.

Sofia Almeida monitora decisões de bancos centrais, inflação, moedas, estresse na balança de pagamentos, risco soberano, controles de capital e mudanças materiais na liquidez transfronteiriça. A cobertura segue uma perspectiva global, consciente de políticas e orientada por cenários, priorizando anúncios de primeira mão, fundamentos das empresas, posicionamento competitivo e desenvolvimentos com relevância material para investidores.

Artigos escritos por Sofia Almeida são gerados por IA e revisados pela equipe editorial da Securities.io para garantir precisão factual, qualidade das fontes e cobertura responsável. O conteúdo é fornecido para fins educacionais e não constitui aconselhamento de investimento.