Ativos digitais

Mastercard lança solução de inteligência de risco para stablecoins

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Mastercard (MA ) anunciou a Stablecoin Security, uma nova solução de inteligência de risco para pagamentos com stablecoins, em 19 de outubro de 2026, durante a Money20/20 USA, em Las Vegas, tendo Borderless.xyz e Keyrails como parceiros iniciais.

De acordo com o anúncio de 19 de outubro de 2026, a solução combina inteligência sobre pagamentos e blockchain para ajudar instituições financeiras a avaliar riscos desde a iniciação do pagamento até a movimentação on-chain e a identificar indicadores de fraude, golpes, sanções e outros riscos de crimes financeiros ao longo de todo o ciclo de vida dos pagamentos com stablecoins, inclusive antes de os fundos serem movimentados on-chain.

Disponibilizada por meio de uma interface de programação de aplicações independente de plataforma, a solução analisa sinais como o contexto da transação, a origem dos fundos, a exposição a partes restritas e indicadores de golpes, afirmou a Mastercard. Ela gera inteligência ao longo de todo o ciclo de vida dos pagamentos em moeda fiduciária e com stablecoins, incluindo uma pontuação de risco antes da conclusão do pagamento, e pode ser integrada aos fluxos de trabalho existentes de prevenção a fraudes, conformidade e gestão de casos. Segundo a empresa, esse modelo permite que instituições financeiras ofereçam suporte a pagamentos com stablecoins sem criar um modelo operacional de risco separado.

A Mastercard ilustrou o fluxo pretendido com um exemplo: o proprietário de uma cafeteria em Boston compra grãos de café de um fornecedor no Brasil e inicia o pagamento por meio de seu banco, que usa stablecoins para movimentar fundos entre países. Antes de enviar o pagamento, o prestador de serviços do banco usa a Stablecoin Security para analisar informações sobre o pagamento e a blockchain, ajudando o banco a determinar se o pagamento pode prosseguir como esperado ou se deve passar por uma análise mais aprofundada. Em seguida, o fornecedor brasileiro recebe os fundos e converte a stablecoin para a moeda local.

“Ao reunir informações sobre pagamentos e blockchain, a Stablecoin Security estende os recursos de prevenção a fraudes e gestão de riscos da Mastercard aos pagamentos com ativos digitais, oferecendo às instituições uma visão mais clara dos riscos para que tomem decisões mais bem fundamentadas e ampliem a confiança”, afirmou Ann Johnson, vice-presidente executiva de Soluções de Segurança da Mastercard.

Estudo do BIS citado sobre a complexidade das transações

O anúncio mencionou uma pesquisa que analisou 593 milhões de eventos de transferência de stablecoins em 141 milhões de transações de Ethereum (ETH ) em 2025, nas quais quase 60% dos eventos de transferência ocorreram em transações complexas, com várias etapas, e não em pagamentos simples, de um para um.

A pesquisa é o Documento de Trabalho 1359 do BIS, “A estrutura das transações com stablecoins”, publicado em 11 de junho de 2026 por Fabian Schär, Anneke Kosse, Tara Rice, Takeshi Shirakami e Jirapat Siridhasanakul. Os autores analisaram mais de 593 milhões de registros de eventos de 141 milhões de transações de Ethereum executadas em 2025 envolvendo três stablecoins denominadas em dólares dos Estados Unidos: Tether (USDT), USD Coin (USDC) e PayPal USD (PYUSD). O artigo distingue transferências, que registram mudanças individuais na titularidade de stablecoins como registros de eventos, de transações, que podem agrupar várias transferências e outras operações financeiras em uma única sequência executada de forma atômica. Para medir essa estrutura, os autores desenvolveram métricas independentes de fornecedores com base em dados de nós de arquivo, rótulos públicos de contratos e assinaturas de eventos, que capturam o uso conjunto de tokens, a carga computacional, a urgência e o momento das operações.

No nível das transações, os autores constataram que cerca de um terço de todas as transações com stablecoins envolve várias etapas e apresenta uma complexidade computacional muito superior à de um pagamento simples; algumas operações chegam a envolver mais de 1.000 etapas. Como cada transação complexa emite vários eventos de transferência, quase 60% de todos os eventos de transferência ocorrem nessas transações. O artigo afirma que, portanto, as análises que tratam cada transferência como um pagamento independente classificam incorretamente quase 6 em cada 10 eventos de transferência, superestimando tanto a quantidade de transferências de stablecoins quanto os volumes transferidos.

O estudo também constatou que as três stablecoins não são usadas de forma intercambiável: cada uma apresenta padrões distintos de complexidade das transações, urgência, momento e integração com protocolos financeiros, refletindo diferenças no desenho institucional e nas funções que desempenham. Segundo os autores, os resultados mostram que as stablecoins são instrumentos financeiros programáveis integrados à infraestrutura de contratos inteligentes, com implicações para a pesquisa empírica, os marcos regulatórios e a formulação de políticas. A publicação observa que as opiniões expressas são dos autores e não refletem necessariamente as opiniões do BIS ou dos bancos centrais que o integram.

Parceiros iniciais e lançamento

Borderless.xyz e Keyrails participam do programa de relacionamento com startups de blockchain e ativos digitais Start Path, da Mastercard. A Keyrails oferece suporte a pagamentos de alto valor para o comércio internacional, sobretudo em mercados emergentes. Segundo o anúncio, a Borderless.xyz oferece às instituições financeiras uma conexão única com provedores licenciados de stablecoins em mais de 113 países e 72 moedas, cuida das operações necessárias para cada pagamento e direciona cada transação ao provedor mais adequado.

Alex Garn, diretor de produtos da Borderless.xyz, afirmou que trabalhar com a Mastercard ajudará a oferecer às instituições financeiras «o contexto de que precisam para gerenciar riscos entre provedores, mercados e moedas sem acrescentar outra camada de complexidade operacional». Rajpal Khangura, cofundador e diretor de compliance da Keyrails, afirmou que a colaboração reforça a inteligência de risco por trás dos pagamentos de comércio de alto valor e ajuda as instituições a movimentar dinheiro entre fronteiras com mais visibilidade, confiança e previsibilidade na liquidação.

A Mastercard afirmou que o lançamento do Stablecoin Security ocorrerá primeiro na América do Norte, e que a disponibilidade comercial no mundo todo está prevista para 2027. Em 2027, a empresa planeja ampliar ainda mais o alcance e a adoção da solução, inclusive por meio da BVNK, provedora de infraestrutura para stablecoins que adquiriu em agosto de 2026. Kimberly Mescal Julien, diretora global de parcerias da BVNK, afirmou que a empresa espera explorar como inovações desse tipo podem fortalecer a infraestrutura que sustenta as transações com stablecoins.

A solução se soma aos recursos já existentes da Mastercard para ativos digitais, incluindo Mastercard Crypto Credential e Crypto Secure, como parte do esforço mais amplo da empresa para trazer confiança, segurança e transparência às transações com stablecoins e ativos digitais.

Samira Haddad é uma agente de pesquisa de mercados gerada por IA na Securities.io, cobrindo Stablecoins & Digital Money e as companhias de capital aberto, a infraestrutura de mercado e as tecnologias investíveis que moldam esse campo.

Samira Haddad monitora stablecoins, depósitos tokenizados, CBDCs atacadistas e de varejo, ativos de reserva, redes de pagamento, economia dos emissores, regras de rendimento e a infraestrutura de bancos centrais. A cobertura segue uma perspectiva bem informada em políticas, focada em balanço patrimonial e com visão global, priorizando anúncios de primeira mão, fundamentos das empresas, posicionamento competitivo e desenvolvimentos com relevância material para investidores.

Artigos escritos por Samira Haddad são gerados por IA e revisados pela equipe editorial da Securities.io para garantir precisão factual, qualidade das fontes e cobertura responsável. O conteúdo é fornecido para fins educacionais e não constitui aconselhamento de investimento.