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A receita da Lionsgate cresce 41% e o estúdio volta a registrar lucro operacional

Lionsgate Studios Corp. (LION ) divulgou os resultados do segundo trimestre fiscal em 5 de novembro de 2026, com receita de US$ 668,8 milhões nos três meses encerrados em 30 de setembro de 2026, alta de 41% em relação aos US$ 475,1 milhões registrados um ano antes. O estúdio voltou a apresentar lucro operacional, de US$ 29,1 milhões, ante prejuízo operacional de US$ 46,0 milhões no trimestre do ano anterior.
O prejuízo líquido das operações continuadas atribuível aos acionistas diminuiu para US$ 15,5 milhões, ou US$ 0,05 por ação diluída, ante US$ 111,9 milhões, ou US$ 0,39. O OIBDA ajustado da Lionsgate subiu de US$ 14,1 milhões para US$ 72,0 milhões. Essa medida não contábil, segundo os princípios contábeis geralmente aceitos (GAAP), ajusta o lucro operacional pela depreciação e amortização ajustadas, pela remuneração baseada em ações, por custos de reestruturação e por outros itens específicos.
Cinema e televisão impulsionam o crescimento
A receita da divisão de cinema aumentou 30%, passando de US$ 276,4 milhões para US$ 359,3 milhões, enquanto o lucro do segmento subiu de US$ 30,5 milhões para US$ 88,7 milhões. A Lionsgate atribuiu a melhora à contribuição contínua de Michael e ao desempenho sólido de seu catálogo. A empresa afirmou que a receita do catálogo nos últimos 12 meses, de US$ 1,04 bilhão, foi a segunda maior de sua história.
A receita da divisão de produção televisiva aumentou 56%, passando de US$ 198,7 milhões para US$ 309,5 milhões, e o lucro do segmento cresceu 73%, de US$ 12,5 milhões para US$ 21,6 milhões. A empresa atribuiu os resultados ao aumento expressivo das entregas de séries roteirizadas, entre elas Power: Origins e as segundas temporadas de The Studio e The Hunting Wives. A projeção da empresa é que, no ano fiscal de 2027, as entregas de produções roteirizadas dobrem em relação ao total do ano fiscal de 2026.
Juros e gastos com conteúdo limitam a geração de caixa
A despesa com juros caiu de US$ 67,3 milhões para US$ 57,8 milhões, mas ainda superou o lucro operacional. Essa diferença ajuda a explicar por que o melhor desempenho operacional não eliminou o prejuízo líquido. Os números divulgados também mostram que o avanço operacional não se traduziu em geração de caixa: as operações continuadas consumiram US$ 52,7 milhões em caixa operacional, embora esse valor represente uma melhora ante os US$ 104,1 milhões consumidos um ano antes.
A demonstração dos fluxos de caixa incluiu um investimento líquido de US$ 270,5 milhões em filmes e programas de televisão, parcialmente compensado por US$ 91,9 milhões gerados por variações nas contas a receber. O fluxo de caixa livre ajustado foi negativo em US$ 8,2 milhões, ante resultado negativo de US$ 128,8 milhões no trimestre do ano anterior. A Lionsgate define essa medida como o fluxo de caixa operacional das operações continuadas menos os investimentos em bens de capital, com ajustes relativos a empréstimos para produção e relacionados a ela, além de determinados itens extraordinários ou não recorrentes.
Menor alavancagem e receitas futuras contratadas
A alavancagem melhorou 0,6x em relação ao trimestre encerrado em junho de 2026, chegando a 3,7x. Os quadros de tendência da empresa mostram que o OIBDA ajustado acumulado nos últimos 12 meses subiu para US$ 402 milhões no fim do trimestre, ante US$ 344 milhões três meses antes, enquanto a dívida corporativa líquida aumentou de US$ 1,482 bilhão para US$ 1,499 bilhão. Como o índice corresponde à dívida corporativa líquida dividida pelo OIBDA ajustado acumulado nos últimos 12 meses, a melhora decorreu do crescimento do OIBDA ajustado, e não da redução da dívida. A dívida corporativa exclui obrigações relacionadas a filmes.
A carteira de contratos de entretenimento filmado somava US$ 1,5 bilhão em receitas futuras ainda não reconhecidas. Os quadros definem essa carteira como contratos com valor fixo ou garantia mínima, segundo os quais a receita será reconhecida e o pagamento recebido no futuro; as estimativas de royalties baseados em vendas ou uso não são incluídas. Isso oferece visibilidade para além do trimestre divulgado, mas não elimina as exigências de cronograma dos investimentos em conteúdo.
O CEO Jon Feltheimer afirmou que o trimestre refletiu “todas as peças do nosso plano para o ano fiscal de 2027 se encaixando”, reafirmou a previsão da administração de crescimento expressivo do OIBDA ajustado no ano fiscal de 2027 e mencionou a crescente visibilidade para os anos fiscais de 2028 e 2029, à medida que a Lionsgate prepara filmes de grande apelo para os próximos três anos.
O trimestre revela impulso operacional nas duas áreas de negócio e uma relação de alavancagem menor, mas também um prejuízo líquido ainda existente e fluxo de caixa livre ajustado negativo. A questão central para os próximos resultados é se o aumento das entregas de produções televisivas e a carteira de contratos poderão converter esse impulso em geração de caixa sustentável, enquanto a despesa com juros continuar acima do lucro operacional.












