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O Colapso da FTX Explicado

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O colapso da FTX, que até recentemente era a segunda maior exchange de criptomoedas do mundo, é um dos eventos mais dramáticos já ocorridos na nascente indústria cripto. As perdas materiais e a contaminação financeira decorrentes desse evento devastaram muitos participantes do mercado. Mas, considerando a imagem pública da FTX como um agente de boa‑fé e um player de mercado maduro, a perda de confiança pode ser ainda mais devastadora. Vamos aprofundar nesses eventos marcantes.

Quem são as principais entidades envolvidas?

Antes de explicarmos os mecanismos que causaram a queda, vamos identificar as principais entidades que desempenharam papéis-chave nos eventos ocorridos na última semana. Esses players de mercado são:

  • FTX – a segunda maior exchange de criptomoedas do mundo,
  • Alameda Research – um fundo de investimento com laços estreitos, porém opacos, com a FTX e seu principal market maker,
  • Sam Bankman Fried (SBF) – o fundador das duas empresas acima mencionadas e CEO da FTX,
  • Binance – a maior e mais popular exchange de criptomoedas do mundo, principal concorrente da FTX,
  • Chengpeng Zhao (CZ) – CEO da Binance.

O que causou essa queda?

A razão imediata para o crash do mercado é a queda da FTX, a segunda maior exchange de criptomoedas do mundo. A partir da semana passada, a FTX enfrentou uma enxurrada de alegações que colocaram em dúvida sua credibilidade e sua saúde financeira. As alegações giravam em torno de práticas comerciais opacas, uso indevido de fundos de clientes e conflito de interesses relacionados a transações financeiras com seu principal market maker, a Alameda Research.

A controvérsia começou há duas semanas, quando a Coindesk, um importante veículo de notícias do setor, publicou uma matéria que revelou os detalhes do balanço da Alameda. O documento supostamente mostra que o maior ativo que a empresa possuía era o FTT – um token emitido pela FTX. Além disso, a Alameda também usou o FTT como garantia para empréstimos que totalizavam mais de US$ 2 bilhões.

Esses detalhes foram considerados problemáticos porque sugeriam que a) a FTX inflacionou artificialmente o valor e as finanças da Alameda e b) a FTX pode ter emprestado parte dos fundos de seus clientes à Alameda, que utilizou o FTT como colateral desses empréstimos. A explicação completa de como esse relacionamento circular poderia ter funcionado está além do escopo desta comunicação. Em termos simples, a situação poderia ser comparada a um banco que concede grandes quantias de dinheiro contra suas próprias ações. Se você quiser aprender como isso (provavelmente) funcionou em detalhes, este artigo fornece uma análise mais aprofundada.

De qualquer forma, as revelações levaram Chengpeng Zhao, CEO da Binance, a anunciar que sua empresa venderia seus tokens FTT “devido a revelações recentes”. (A Binance foi um dos primeiros investidores da FTX, mas no ano passado o Sr. Zhao vendeu sua participação na exchange de volta ao seu CEO, Sam Bankman‑Fried, que a pagou parcialmente com tokens FTT).

Em resposta, o preço do FTT despencou e os usuários correram para retirar seus fundos da FTX, temendo que fosse mais uma empresa cripto em falência. Como a FTX – em cooperação com a Alameda – operava mais como um banco de investimento ou corretora de valores do que como uma exchange tradicional, o grande número de saques (estimado em US$ 6 bilhões em três dias) provocou uma corrida bancária de fato.

Sem dinheiro, a FTX simplesmente deixou de processar solicitações de saque, mas ainda enfrentava uma crise de liquidez severa que a colocou à beira da falência. Para evitar esse cenário e acalmar os mercados, Sam Bankman‑Fried ligou ao Sr. Zhao e pediu que a Binance socorresse a FTX.

A Binance concordou inicialmente e as duas empresas assinaram uma Carta de Intenções – o que gerou um rali temporário nos mercados que você pode ter notado na segunda‑feira. Entretanto, nesse meio‑tempo, a mídia começou a relatar que a FTX estava sendo investigada por múltiplos reguladores financeiros nos EUA (incluindo a SEC, a CFTC e o Departamento de Justiça) por alegações de uso indevido de fundos de clientes.

Após a devida diligência sobre as finanças da FTX, a Binance retirou-se do acordo e os mercados despencaram. O Bitcoin rompeu abaixo de sua mínima do ciclo atual de US$ 17,6 mil e chegou a ser negociado por apenas US$ 15,7 mil. Algumas criptomoedas proeminentes, como a Solana, perderam 50 % em poucos dias. No geral, o Bitcoin recuou 22 %, registrando seu pior período de 7 dias desde junho, quando os mercados foram derrubados pelo colapso da Luna. Embora o preço do Bitcoin tenha se estabilizado na faixa de US$ 16,5 mil a US$ 16,7 mil, podemos ver mais pressão de venda nos próximos dias à medida que a extensão total dos danos ao mercado e à indústria cripto for revelada.

O que vem a seguir para os mercados de criptomoedas?

O chamado FUD (medo, incerteza e dúvida) voltou a dominar a mente de todos os participantes do mercado, criando pânico em todo o setor. Investidores estão correndo para vender suas posições e sair do mercado, gerando grandes oportunidades para o longo prazo. Historicamente, tais circunstâncias costumam sinalizar o fundo do poço. Contudo, como a FTX era uma das maiores, mais bem‑sucedidas e mais respeitadas exchanges do setor, o pânico pode durar um pouco mais.

Embora a FTX fosse um player importante do mercado, ela não era, de forma alguma, essencial ao desenvolvimento, à proliferação e à adoção de ativos digitais a longo prazo. Tampouco era central para os ideais fundamentais do espaço das criptomoedas como um todo. Na verdade, sua conduta mostrou que ela se opunha ativamente a esses ideais, que incluem transparência e responsabilidade.

Sentimos muito por todos os afetados pela falência da FTX. Ainda assim, permanecemos confiantes de que a indústria como um todo aprenderá e crescerá com essa experiência e continuará seu caminho rumo à construção de um sistema financeiro mais eficiente, transparente e equitativo.

Bitcoin

Resumo: Níveis‑chave a observar

O Bitcoin caiu para US$ 15.500 na semana anterior, após o colapso da FTX, e fechou a semana ligeiramente acima de US$ 16.000 – uma zona de demanda criada no ciclo de 2017. Pela primeira vez em 2022, o Bitcoin adotou uma relação não correlacionada com outros ativos de risco (Nasdaq, S&P 500, etc.) e passou a correlacionar‑se com o USD. O motivo é o escândalo da FTX, como explicado acima. Caso contrário, o Bitcoin teria subido junto com os índices nos últimos dias.

No gráfico diário, o Bitcoin parece estar formando um fundo duplo, que é um padrão de alta. Contudo, há muitas resistências no caminho ascendente e provavelmente verá um impulso até US$ 17.500 – US$ 18.500, seguido por outra queda. Se US$ 18.500 se mantiver como suporte, US$ 19.500 – US$ 20.000 são as próximas resistências a serem testadas.

Nasdaq

Resumo: Operando na Resistência

O Nasdaq registrou a semana mais verde do ano, com um aumento de quase 10 %. Subiu de 10.800 para 11.800 em uma única semana e agora está negociando ligeiramente acima de 12.000 e na EMA de 21 dias. A trajetória futura do Nasdaq depende fortemente do dólar americano. À medida que o USD se aproxima do suporte e o Nasdaq está negociando em seu nível de resistência, as coisas parecem prontas para se inverter novamente.

Dólar Americano

Resumo: No Nível de Suporte Chave

O dólar americano caiu abaixo de 109 na semana anterior e sofreu uma queda rápida para 106. Isso ajudou todos os ativos de risco (exceto as criptomoedas) a registrar bons retornos, mas a festa parece ter acabado, pois o USD tocou sua zona de suporte hoje e parece estar mantendo‑a. Se o suporte de 105 se mantiver, os ativos de risco sofrerão outro golpe. Por outro lado, se perder 105, mais semanas verdes estão no horizonte para os ativos de risco e, com a questão da FTX desaparecendo lentamente, as criptomoedas também se beneficiarão.

Mikkel Morch é o Presidente da ARK36, um fundo de investimento moderno que se especializa em negociar a classe de ativos mais interessante disponível no mercado.