Ativos digitais
8 melhores carteiras de criptomoedas de código aberto

Uma carteira de criptomoedas permite enviar, receber e gerenciar ativos registrados nas respectivas blockchains. Ela administra as chaves que autorizam as operações, não guarda as moedas fisicamente. Pode ser uma carteira de software ou um dispositivo de hardware; a escolha depende da forma como você pretende usar e proteger as chaves.
Uma carteira de código aberto publica seu código-fonte para revisão e, conforme a licença, modificação e redistribuição. Isso permite auditorias independentes e contribuições da comunidade, mas não garante que vulnerabilidades serão encontradas ou corrigidas rapidamente. Criar uma versão própria também exige respeitar a licença e avaliar os riscos das alterações.
O código aberto pode facilitar a personalização por desenvolvedores e a adaptação a necessidades específicas. Muitas carteiras são gratuitas para baixar e usar, mas transações na rede e serviços integrados podem cobrar taxas. Personalizar código não é uma tarefa necessária nem simples para todo usuário.
As opções abaixo atendem a diferentes redes e perfis de uso. Compare a proteção das chaves, a facilidade de recuperação e as funções de que você precisa. A disponibilidade dos recursos depende da versão e da plataforma; funcionalidades acrescentadas em versões recentes não devem ser presumidas em versões antigas.
1. Mycelium
Mycelium é uma carteira móvel de código aberto com histórico no Bitcoin desde 2012. Reúne ferramentas de gestão das chaves e informações detalhadas sobre as operações. A interface oferece recursos avançados, que podem exigir aprendizado de quem está começando; a existência do projeto há muitos anos não constitui uma garantia de segurança.
O projeto tem versões para Android e iOS, com recursos e ciclos de atualização que podem ser diferentes. A autocustódia permite ao usuário controlar as chaves privadas, mas também o torna responsável pela cópia de segurança e proteção do aparelho. É importante confirmar a compatibilidade da versão escolhida.
Embora tenha começado com foco exclusivo no Bitcoin, a versão Android também anuncia suporte a Ethereum e tokens ERC-20. Os recursos de Bitcoin incluem chaves BIP38 e compatibilidade com SegWit. Isso não significa que todos os tipos de conta ou dispositivos ofereçam os mesmos ativos e funções.
Entre os recursos descritos pelo projeto estão vários tipos de conta, integração com carteiras de hardware como Ledger, Trezor e KeepKey, conforme a versão, e serviços de terceiros. O Mycelium Local Trader permite encontrar pessoas para negociar bitcoin diretamente; não deve ser confundido com uma bolsa descentralizada de contratos inteligentes. A conexão pela rede Tor pode ajudar a ocultar o endereço IP dos servidores aos quais a carteira se conecta. Isso não torna as operações anônimas nem elimina riscos de localização em negociações presenciais. O foco do aplicativo é móvel, sem uma versão desktop equivalente; a descrição como exclusivamente Bitcoin não se aplica ao suporte adicional anunciado para Android.
O histórico detalhado pode mostrar altura do bloco, confirmações, taxa de mineração, horário e identificador da transação, além de rótulos personalizados e taxas de câmbio. Esses dados ajudam a acompanhar uma operação, mas não garantem um prazo de confirmação.
O ecossistema Mycelium também descreve projetos distintos da carteira: o processador de pagamentos em BTC Gear, o dispositivo USB Entropy para gerar carteiras de papel e a proposta de rede de pagamentos Card. Não se deve presumir que sejam funções incluídas no aplicativo ou que todos estejam disponíveis comercialmente hoje.
A Mycelium pode interessar a quem procura uma carteira móvel com controle das chaves e ferramentas de Bitcoin mais detalhadas. Verifique os recursos da plataforma e mantenha uma cópia de recuperação segura antes de movimentar valores.
2. MyEtherWallet
MyEtherWallet (MEW) oferece ferramentas de código aberto para interagir com Ethereum e redes compatíveis. Seu ecossistema inclui a interface web, o aplicativo móvel e a extensão multirrede Enkrypt. Esta amplia o acesso a redes como BNB Smart Chain, Polkadot, Polygon e Optimism, conforme o produto e a versão.
É possível gerenciar ETH e tokens ERC-20 sem pagar pelo download da carteira, embora se apliquem taxas de rede e de serviços utilizados. O usuário controla suas chaves na autocustódia. A interface web e a Enkrypt também podem ser usadas com carteiras de hardware, incluindo Ledger e Trezor; os métodos de acesso não são idênticos em todas as interfaces.
O código público permite que especialistas examinem a implementação. Isso aumenta a possibilidade de análise independente, mas não impede a existência de falhas nem protege automaticamente contra sites falsos, aplicativos adulterados ou assinaturas maliciosas.
O MEW permite acompanhar saldos, histórico e várias contas e acessar aplicativos descentralizados. PIN ou biometria, como Face ID em aparelhos compatíveis, protegem o acesso local em determinadas versões. Também há funções de staking de ETH e gestão de nomes ENS, sujeitas às condições e aos riscos dos protocolos envolvidos.
As funções do MEW evoluem com as versões. A escolha entre aplicativo móvel, interface web e extensão deve considerar a rede desejada e a forma de proteção das chaves. As opções de staking e de interação com contratos acrescentam riscos que vão além da simples guarda de ativos.
3. Electrum
A Electrum é uma carteira gratuita e de código aberto para Bitcoin, disponível desde 2011. Não oferece suporte nativo a outras criptomoedas; projetos derivados para outras moedas têm mantenedores próprios. Seu funcionamento leve dispensa o download integral da blockchain na configuração padrão. A combinação de ferramentas básicas e avançadas pode atender a diferentes usuários, desde que compreendam a recuperação e o modelo de conexão aos servidores.
Criada exclusivamente para Bitcoin, a carteira Electrum tem versões para Windows, macOS, Linux e Android e pode funcionar com dispositivos de hardware compatíveis. Pode ser usada como carteira conectada ou em uma configuração de assinatura offline. Não é uma carteira de Ethereum, de outras altcoins ou de negociação em DEXs dessas redes.
A Electrum permite controlar chaves, assinar e verificar mensagens. O aplicativo não exige cadastro de identificação para criar a carteira, mas isso não significa ausência de exposição de dados: a Electrum consulta servidores que podem associar endereços e informações de conexão. Conectar-se à própria infraestrutura pode reduzir essa dependência, sem garantir anonimato.
A função de múltiplas assinaturas permite distribuir a autorização de gasto entre várias chaves, por exemplo exigindo duas assinaturas de um conjunto de três. Não basta simplesmente criar uma carteira online e outra offline: é necessário configurar o quórum e os signatários corretamente. Uma configuração de armazenamento a frio separa as chaves de assinatura do dispositivo conectado. Também é possível definir as taxas das transações.
A Electrum oferece suporte à Lightning Network para pagamentos compatíveis, com requisitos próprios de canais e liquidez. Isso pode reduzir tempo e custo em determinados pagamentos, mas não acelera automaticamente todas as transações de Bitcoin nem garante taxas baixas.
A Electrum pode ser adequada para quem quer uma carteira dedicada ao Bitcoin com opções de taxas, múltiplas assinaturas e armazenamento offline. Essas configurações exigem atenção às cópias de recuperação e aos servidores usados.
4. BitPay Wallet
Outra opção de código aberto é a BitPay, com versões móveis e desktop. A carteira foi desenvolvida a partir do projeto Copay, mas os dois nomes não significam que todos os produtos e recursos sejam idênticos. É possível criar e administrar várias carteiras para separar, por exemplo, usos pessoais e comerciais.
A carteira tem raízes no projeto Copay, lançado em 2015, e é mantida pela BitPay, empresa de processamento de pagamentos. A carteira pessoal deve ser distinguida do serviço de pagamentos para estabelecimentos. O protocolo de pagamento usado em integrações compatíveis ajuda a conferir dados de uma cobrança, mas não garante que qualquer endereço ou destinatário informado pelo usuário esteja correto.
A BitPay oferece gestão de várias carteiras e integrações com dispositivos de hardware, conforme a configuração. O recurso opcional de múltiplas assinaturas não significa apenas que várias pessoas podem abrir o aplicativo: ele pode exigir um número mínimo de assinaturas independentes para autorizar o gasto, aumentando a separação de responsabilidades.
O projeto anuncia biometria, senhas e autenticação adicional em funções compatíveis. Essas proteções locais não substituem a guarda segura da frase de recuperação, nem tornam uma carteira invulnerável. A autocustódia mantém as chaves sob responsabilidade do usuário. Além do BTC, há suporte a diversas redes e tokens. A referência a centenas de ativos disponíveis para compra ou troca deve ser diferenciada da lista de moedas que uma versão específica consegue receber e manter diretamente: nem toda integração de serviço significa suporte nativo na carteira.
O suporte ao cliente também deve ser considerado. O texto de origem menciona relatos de demora no atendimento, mas isso não permite garantir um prazo de resposta nem caracterizar todos os casos. A equipe de suporte de uma carteira de autocustódia não pode desfazer uma transferência confirmada nem recuperar chaves perdidas sem backup.
5. AlphaWallet
A AlphaWallet é uma carteira gratuita, de código aberto e de autocustódia para Android e iOS. A conexão com aplicativos no computador pode ocorrer pelo WalletConnect, sem que isso signifique a existência de versões web e desktop equivalentes. O projeto utiliza recursos de proteção do aparelho, como Secure Enclave em dispositivos compatíveis; isso não transforma um celular conectado em uma carteira fria isolada da internet.
A carteira trabalha com tokens Ethereum e padrões como ERC-20, ERC-721, ERC-1155 e ERC-875, conforme a implementação. Seu histórico de redes inclui Ethereum, Polygon, BNB Smart Chain, xDai/Gnosis, Fantom Opera, Avalanche, Optimism e Arbitrum, além de redes como Heco e ARTIS sigma1 citadas em versões anteriores. Confirme a disponibilidade atual de cada rede. Ela também permite administrar NFTs e interagir com aplicativos de finanças descentralizadas, com os riscos próprios de cada contrato.
A AlphaWallet usa o TokenScript para associar funções e informações aos tokens, aproximando a carteira dos aplicativos que os utilizam. Isso pode ajudar na interação e na tokenização de itens e serviços por empresas. Não é uma solução universal para os problemas de privacidade ou escalabilidade das blockchains, nem garante o valor econômico dos itens tokenizados.
Entre as funções apresentadas pelo projeto estão compra de cripto com moeda convencional por meio de serviços integrados, gestão de nomes ENS e envio de tokens ou NFTs por MagicLink em operações compatíveis. Um nome ENS facilita o uso de um endereço, mas é preciso conferir o destinatário e a rede antes de assinar.
O projeto também descreve cópias de recuperação, atestações e possibilidades de integração com contas de hardware, contratos inteligentes, compartilhamento de recuperação e comunicação entre participantes. Algumas capacidades podem depender de versão, integração ou desenvolvimento específico; não devem ser presumidas em toda instalação comum.
A criação da carteira não exige cadastro KYC junto à AlphaWallet. Porém, provedores de compra e outros serviços conectados podem solicitar identificação e impor restrições. Controlar as chaves reduz a dependência de um custodiante, mas não impede perda de acesso por falta de backup, falha do aparelho ou fraude.
A AlphaWallet pode atender a quem quer interagir com tokens, NFTs e aplicativos Ethereum em um dispositivo móvel. Avalie os contratos e permissões solicitadas e não confunda as alegações de segurança do fornecedor com uma garantia contra perdas.
6. Cake Wallet
A Cake Wallet começou em 2018 como uma carteira Monero para iOS e ampliou seus recursos ao longo do tempo. O projeto de código aberto oferece versões móveis e para computadores, incluindo Android, iOS, macOS e Linux, conforme as distribuições disponibilizadas. Os recursos mais recentes a seguir não correspondem necessariamente às versões de 2022.
Nas versões atuais descritas pelo projeto, o suporte inclui Bitcoin, Ethereum (ETH), Litecoin (LTC), Monero (XMR), Solana (SOL), Tron (TRX), Bitcoin Cash (BCH), Polygon (POL), Nano (XNO), Zano (ZANO), Decred (DCR) e stablecoins compatíveis. A disponibilidade depende da rede, da versão e da plataforma.
A carteira permite enviar e receber cripto e integra serviços para compra, venda e troca. Cartões, transferências bancárias e moedas convencionais disponíveis dependem dos provedores e do país. A ausência de uma conta na carteira não significa que todos os serviços externos sejam ilimitados ou dispensados de identificação. Preços, taxas e limites devem ser conferidos antes da confirmação.
É possível criar várias carteiras. Algumas moedas também permitem várias contas dentro de uma mesma carteira, como ocorre com o Monero; essa organização não é igual para todos os ativos.
Na autocustódia, as chaves e frases de recuperação ficam sob responsabilidade do usuário. Há opções de biometria, proteção local adicional e integração com carteiras de hardware, conforme a versão. A Cake 2FA é um mecanismo local de códigos temporários, não uma autorização exigida pela blockchain: oferece proteção limitada contra acesso casual, mas não impede o gasto por alguém que tenha roubado a frase de recuperação nem substitui uma carteira de hardware.
Entre os recursos recentes estão Tor e Silent Payments para Bitcoin. Este último usa endereços derivados diferentes para os pagamentos e exige varredura pela carteira destinatária, com custo de tempo e dados. O Coin Control permite escolher UTXOs, isto é, saídas de transações ainda não gastas. A seleção cuidadosa pode ajudar na privacidade, mas não garante anonimato nem é necessária para todo usuário.
A interface procura atender tanto a iniciantes quanto a usuários experientes. Antes de usar funções avançadas ou trocar ativos por um serviço integrado, compreenda os procedimentos de recuperação e as condições aplicáveis.
7. Armory
A próxima opção é a Armory, uma carteira dedicada ao Bitcoin com código-fonte disponível para revisão e modificação conforme suas licenças. A possibilidade de inspecionar o código não equivale a uma garantia de ausência de falhas.
O projeto mantido pela comunidade é voltado a computadores, com distribuições ou instruções para sistemas como Windows, Linux, macOS e Raspberry Pi, conforme a versão. Os recursos tradicionais incluem armazenamento offline e múltiplas assinaturas. Uma oferta de aplicativo móvel não deve ser presumida como versão oficial desse projeto desktop sem confirmação do mantenedor.
No armazenamento a frio, as chaves são geradas e mantidas no computador offline. Uma cópia somente de visualização é transferida para o computador conectado, permitindo gerar endereços e acompanhar recebimentos sem carregar as chaves privadas. Para gastar, prepara-se a transação online, assina-se offline e transmite-se a assinatura de volta à rede. A cópia de visualização ainda contém informações públicas sobre a carteira e exige cuidado com a privacidade.
O conjunto de recursos descrito pelo projeto inclui carteiras determinísticas e de visualização, assinatura offline, configurações de múltiplas assinaturas como Lockboxes, importação e transferência de fundos de chaves, assinatura de mensagens, modalidades de financiamento conjunto e custódia condicionada, backups em papel e criptografia das carteiras. A disponibilidade e a segurança dependem da versão e da configuração; nenhuma criptografia torna um backup exposto inofensivo.
É possível controlar as taxas e separar a assinatura do dispositivo conectado. Isso pode reduzir a exposição das chaves, mas as transações continuam registradas publicamente na rede Bitcoin. Não há garantia de ausência de divulgação de informações ao enviar ou receber.
A Armory tem foco no BTC. A antiga declaração de que o projeto poderia considerar outras moedas no futuro não deve ser entendida como suporte já disponível a altcoins.
A Armory é mais adequada a usuários que compreendem nós, backups e assinatura offline. Seu funcionamento tradicional depende do Bitcoin Core para obter e validar os dados da rede. Instalar e manter essa estrutura exige mais recursos e trabalho do que usar uma carteira leve; iniciantes podem preferir opções menos complexas.
Consulte o mantenedor da Armory
8. BlueWallet
A BlueWallet combina uma interface relativamente simples com ferramentas avançadas para Bitcoin. É de código aberto e tem versões móveis e para macOS. A carteira Bitcoin on-chain é de autocustódia; a responsabilidade sobre as chaves e o backup permanece com o usuário.
Seu foco é Bitcoin, não a guarda nativa de Ethereum ou outras altcoins. A arquitetura permite criar diferentes carteiras para necessidades distintas sem misturar necessariamente os mesmos conjuntos de chaves.
As opções incluem a carteira Bitcoin comum, notificações e carteiras somente de visualização para acompanhar armazenamento a frio. Configurações com várias assinaturas podem distribuir a autorização de gastos. A função Lightning é diferente da carteira on-chain: a antiga infraestrutura hospedada Lndhub.io foi encerrada em 2023, e as configurações atuais exigem uma conexão compatível, como um nó próprio. A custódia depende de quem controla essa infraestrutura; pagamentos rápidos e baratos não são garantidos em todo caso.
A conexão à própria infraestrutura Bitcoin pode ser feita por servidores compatíveis, como Electrum Personal Server ou ElectrumX. Isso pode reduzir a dependência de servidores públicos, mas exige instalação, manutenção e configuração corretas.
O envio em lote reúne vários destinatários em uma transação, distribuindo custos que seriam repetidos em operações separadas. Ainda há uma taxa calculada pelo tamanho e pela prioridade da transação. Endereços SegWit nativos também podem economizar espaço; a referência a uma economia de até 40 por cento depende da comparação e não é uma redução garantida para toda operação.
A BlueWallet oferece criptografia e biometria em configurações compatíveis. A negação plausível permite preparar carteiras de despiste, mas não garante proteção contra coerção física. Coin Control e Payjoin podem melhorar a privacidade em situações adequadas; sua eficácia depende do uso e, no caso do Payjoin, da participação de uma contraparte compatível.
Considerações finais
Existem diferentes carteiras para gerenciar ativos e, em alguns casos, acessar aplicativos descentralizados. Nem todas oferecem as mesmas redes ou funções. Considere o modelo de custódia, a proteção e recuperação das chaves, a facilidade de uso e a necessidade de serviços externos ao escolher uma opção de código aberto.
As opções da lista atendem a perfis diferentes. Uma carteira leve pode ser prática para pagamentos, enquanto configurações de hardware ou assinatura offline podem ser mais adequadas a outras necessidades. A melhor escolha depende do uso e da capacidade de administrar os riscos, não apenas da quantidade de funções.
Mantenha o software atualizado, use senhas adequadas e guarde as frases ou arquivos de recuperação em local seguro. Nunca forneça a frase de recuperação a supostos atendentes. Confira o endereço e a rede antes de enviar e teste o procedimento de recuperação com cuidado. Esses hábitos reduzem riscos, mas não eliminam a possibilidade de perda.












