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Mt. Gox e Bitcoin: 5 argumentos contra uma venda maciça inevitável — análise de 2022

A Mt. Gox tornou-se uma importante plataforma de negociação de Bitcoin entre 2010 e 2014 e entrou em colapso em 2014 após grandes perdas e furtos. Em agosto de 2022, os credores prejudicados ainda aguardavam pagamentos pelo processo de reabilitação. Naquele momento, o mercado discutia cerca de 140 mil BTC que o administrador poderia distribuir. Este artigo trata das expectativas daquela época, não do estágio atual dos pagamentos.
A possível devolução levantava dúvidas sobre pressão de venda. Os credores venderiam os bitcoins recebidos? Como isso afetaria um mercado já enfraquecido? Transferir ativos a um credor, porém, não equivale automaticamente a vendê-los no mercado.
A seguir estão cinco argumentos da análise de 2022 sobre por que uma venda maciça imediata não era inevitável. São possibilidades, não uma garantia de que o preço do Bitcoin não cairia.
1. Um anúncio não significa pagamento imediato
Quando a análise original foi publicada, não havia uma data definitiva para a distribuição integral. O comunicado do administrador de 6 de julho de 2022 descrevia preparativos e escolhas ainda necessárias por parte dos credores. Isso não significava a liberação imediata de todos os bitcoins. O texto também citava um comentário de Michaël van de Poppe, da Eight Global; uma opinião de mercado não era uma instrução oficial de pagamento.

Segundo a análise original, a preocupação coincidiu com rumores nas redes sociais e uma postura mais restritiva do Federal Reserve no combate à inflação. Essa postura monetária pode influenciar os mercados, mas não prova que esses fatores, isoladamente, tenham causado todas as perdas de preço.
2. Alguns credores poderiam continuar com seus bitcoins
Credores são aqueles que têm direito a receber BTC de volta, não os devedores de BTC. Alguns poderiam manter a confiança no Bitcoin e conservar as moedas recebidas. O fato de terem possuído o ativo antes, entretanto, não determina suas decisões anos depois.

Manter as moedas por longo prazo era uma possibilidade, assim como vender parte ou a totalidade. A forma de custódia também é uma decisão separada sobre gestão e segurança.
3. A modalidade de pagamento pode fazer diferença
A informação oficial sobre o procedimento de pagamento distinguia pagamentos em dinheiro e a opção de receber parte dos créditos em criptoativos elegíveis em BTC e/ou BCH. Não se tratava de uma escolha ilimitada para receber qualquer crédito integralmente em qualquer modalidade. Alguns destinatários de dinheiro poderiam comprar mais BTC, mas isso era uma hipótese, não uma intenção confirmada de todos os credores.
A análise original considerava que o BCH teria um papel menor que o BTC, com base no interesse e no tamanho do mercado em 2022. Dinheiro ou BCH, porém, não eliminam automaticamente a pressão de venda de BTC: o administrador pode precisar vender ativos para financiar pagamentos em dinheiro.
4. Volume negociado não equivale a liquidez disponível
O texto original comparava a possível distribuição ao volume diário de negociação e observava que os volumes divulgados podem ser imprecisos. Mesmo um volume correto não mede diretamente a profundidade do livro de ofertas ou a disposição de compra em determinado momento. O impacto depende de quantidade, horário, mercado e liquidez. A resistência anterior do Bitcoin não garante que uma nova onda de vendas tenha efeito desprezível.
5. A distribuição em etapas pode espalhar as vendas no tempo
A análise original esperava um processo de vários meses, em vez de uma distribuição simultânea de aproximadamente 140 mil BTC. Pagamentos em etapas podem distribuir os momentos de venda, mas não provam que o impacto total será irrelevante. Credores e administrador podem agir em momentos diferentes, enquanto inflação, regulamentação e outros fatores também influenciam o mercado. Trata-se de uma análise de 2022, não de um cronograma atual ou de uma previsão certa para o preço.












